A tragédia ocorrida na madrugada do último domingo em Santa Maria (RS) suscitou um debate em diversos segmentos da sociedade de como a questão da segurança em casas noturnas está sendo tratada no Brasil.
Em Bauru não é diferente. A cidade, que concentra grande número de estudantes universitários e conhecida pela vida noturna agitada, possui diversos estabelecimentos destinados à diversão voltada ao público jovem. Alguns dos proprietários das maiores boates da cidade foram ouvidos pelo JC, a respeito das condições de segurança. E todos afirmam que estão em dia com a legislação.
Caio Richieri, proprietário do Jack Music Pub, disse que seu estabelecimento está em ordem. “Em outubro, fizemos o licenciamento, e dei entrada na prefeitura. Pediram para ir ao Corpo de Bombeiros, eles solicitaram os documentos, e na segunda-feira retornamos lá, eles vão fazer uma nova vistoria. Mas a documentação com a prefeitura está correta”, afirmou Richieri. “Mas já temos uma preocupação constante com a segurança, independente do que ocorreu no final de semana passado no Sul do país”.
Sobre a estrutura da casa, ele explica que o local comporta até 500 pessoas, mas que sempre trabalha com um número menor. “Teve ocasião em que precisamos chamar a polícia para manter a ordem, pois algumas pessoas estavam querendo entrar e nós não estávamos mais vendendo convite. Nunca ultrapassamos o limite da casa”, pontuou. “Os extintores foram trocados em dezembro, e são quatro acessos ao prédio”, salientou.
O empresário citou que ontem à tarde quatro pais foram até o local para conhecer as instalações, para saber como é o lugar frequentado pelos filhos. “Estamos de portas abertas, quem quiser vir até aqui para conhecer, estamos à disposição”, mencionou Richieri.
O proprietário do Rastro do Cowboy, Emílio Brumati, disse que segue as normas de segurança da casa atendem à legislação. “A nossa estrutura cumpre as leis. Temos oito saídas de emergência, com 5 metros de largura cada. Temos alvará, as vistorias estão em dia”, destacou. O local tem capacidade para 15 mil pessoas, divididas em mais de um ambiente. “A casa pode ser evacuada rapidamente. Em cinco minutos, dá para sair 10 mil pessoas. E nunca trabalhamos com pessoas além da capacidade, controlamos pela própria venda de bilhetes”, explicou Brumati.
Ele citou ainda que a casa costuma receber entre 12 e 13 mil pessoas nos eventos com maior público (e que o alvará do Corpo de Bombeiros é para até 26 mil pessoas), contando com nove hidrantes e 30 extintores, que foram recarregados na segunda-feira.
Já o sócio da casa noturna On The Road, Vinícius Misquiati, garante que o local está em dia com as obrigações legais. “O alvará está em ordem, temos duas portas de emergência. A avaliação que foi feita na casa aponta que uma porta seria suficiente, mas temos duas, grandes (ele não mencionou o tamanho exato), uma delas com acessibilidade, e a capacidade do local é para 550 pessoas, mas trabalhamos com no máximo 480 pessoas, até por uma questão de conforto para o público, para atender melhor os clientes, além do aspecto da segurança”, afirmou.
“Controlamos a lotação da casa de forma eletrônica”, apontou. Misquiati reiterou ainda que dois funcionários da casa passaram por treinamento no Corpo de Bombeiros para atuar em situações de emergência. “E após o que aconteceu no Sul, vamos abolir qualquer situação envolvendo fogo, inclusive na apresentação das bandas, será vetada qualquer pirotecnia”, concluiu. A casa manifestou, através do Facebook, uma nota de pesar aos mortos e feridos no incêndio de Santa Maria.
Especialista
Já a Labirinthus explica que contratou uma profissional especializada em sinistros e segurança que atua como socorrista-brigadista, permanecendo na casa durante todo o período de funcionamento. Um dos proprietários, Rick Ferreira, cita que são quatro saídas de emergência, uma com largura de 2,75m, outra com 2,50m de largura e as duas últimas com 1,20m. De acordo com ele, a evacuação total do espaço, em caso de emergência, ocorreria em no máximo quatro minutos.
“A casa passou por uma grande reforma, concluída em outubro do ano passado. Os extintores estão em ordem, e hoje temos um de CO2, 15 de pó químico, quatro de água e mais quatro reservas. Todos foram recarregados em dezembro”, detalhou Ferreira. Ele acrescenta que os laudos e vistorias estão em ordem, bem como o alvará da casa.
A Labirinthus, segundo Ferreira, tem capacidade para mil pessoas, mas costuma trabalhar com 700 a 800 pessoas no público. O controle é feito eletronicamente, através de leitura biométrica dos frequentadores, na entrada da casa.
Em funcionamento em Bauru há cerca de dois meses, a boate Kiss & Fly também garante que está em ordem com as obrigações. “Falta apenas uma última etapa do processo de vistoria, mas é algo pontual, em virtude de estarmos funcionando há pouco tempo”, ponderou um dos sócios da casa, Dirceu dos Santos Pires.
Ele explica que o local pode receber até 400 pessoas, mas que costuma trabalhar com cerca de 350. “Se chegar a 390, já não deixamos entrar mais ninguém. Além disso, temos uma saída de emergência com 5 metros de largura, além da entrada principal, e usamos gesso na decoração”, confirmou, pontuando que no local não foram utilizados materiais inflamáveis. Pires lembrou ainda que os seguranças passaram por um treinamento com os Bombeiros, para atuar em caso de emergência.