Política

Falatório incomoda novatos na Câmara

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Quem frequenta as sessões legislativas da Câmara Municipal de Bauru conhece o falatório e a “bagunça”, rotineiros no plenário, durante a leitura de documentos e até mesmo enquanto vereadores utilizam seus 10 minutos de discurso semanal. O cenário, porém, incomodou os parlamentares que exercem primeiro mandato este ano. Quando questionados sobre as primeiras impressões, a maioria relata este problema.


Como publicou o Jornal da Cidade, Telma Gobbi (PMDB) reclamou, já na primeira sessão, da barulheira dos colegas. “Sempre aprendi que, quando um fala, o outro abaixa a orelha”, comentou.


Já nesta semana, mais conformada, a vereadora diz ter sido informada que o falatório durante as sessões é natural. “A gente só precisa ter responsabilidade e compromisso com as nossas atividades”, afirmou ao JC.


A vereadora disse também que foi orientada pelos colegas que, em muitas ocasiões, o assunto das conversas paralelas está relacionado com os da discussão na tribuna. No entanto, quem está sempre lá sabe que não é bem assim.


Nem todo mundo, porém, aceita essa condição. Se o barulho durante as leituras já é incômodo para quem está de fora, deve ser ainda mais para quem está diretamente envolvido. É o caso do também novato Markinho da Diversidade.


“Achei muito deselegante. Como sou o segundo secretário, faço boa parte das leituras, então eu pude sentir na pele o quanto é ruim. Além disso, os celulares tocam toda hora durante a sessão e incomodam. Já sugeri ao presidente que oriente todos a deixarem os aparelhos no modo silencioso”, contou.


O chefe do Legislativo, Sandro Bussola (PT), adota discurso conciliador alegando que, para o bom convívio e andamento dos trabalhos legislativos, o bom senso deve imperar.


O petista, no entanto, sinaliza defender mudanças no regimento interno da Câmara Municipal, que já tramita pela Casa. “O modelo adotado favorece o falatório. É tudo muito longo e demorado. Na nossa primeira sessão, foram feitas mais de 100 leituras. Precisamos encontrar um caminho de modernizar isso. Não tenho o perfil de ficar tocando a campainha toda hora para chamar atenção de vereador”, opinou.


Apesar de estreante, Bussola carrega vasta bagagem política, tendo sido, por muitos anos, assessor de José Carlos de Souza Batata (PT). Ele não enfrenta dificuldades nas articulações – tanto que viabilizou sua eleição à presidência. No entanto, admite que os “formalismos” lhe incomodam. “Tenho muita dificuldade, mas, com a Mesa Diretora, vou ter que lidar, inclusive, com as burocracias administrativas. Aliás, isso já está acontecendo”.



Louros


Os novatos, porém, não apresentam somente reclamações. Markinho da Diversidade comemora a possibilidade de encaminhar ofícios e requerimentos ao Poder Executivo, repassando as reivindicações da população atendida em seu gabinete. “Na verdade, sempre fizemos isso. Mas agora é oficial e passa mais segurança para as pessoas”, contou.


Além disso, o peemedebista comemora as participações nas comissões de Direitos Humanos e de Educação e Assistência Social. “Tem tudo a ver com o trabalho que eu já desenvolvia na ONG (Associação Bauru pela Diversidade)”.


Telma Gobbi diz que, além de visitar todas as secretárias e órgão da administração indireta, para se inteirar sobre a realidade de todos eles, está se dedicando ao atendimento direto à população. “Fico no meu gabinete para receber as pessoas de segunda à quinta-feira pela manhã e tarde das sextas-feiras”

 

Mais do que pensava

Raul Gonçalves de Paula (PV) é o único oposicionista entre os estreantes da Câmara Municipal. Sem receios, ele admite que se surpreendeu com o volume de atividades e atribuições de um vereador. “Eu achava que ficava mais restrito às sessões, mas tem as comissões, a vice-presidência e o atendimento no gabinete”, comentou.


Também chamou a atenção do verde a queda de braço entre alguns vereadores para a composição das comissões permanentes da Câmara Municipal. “Achei interessante e engraçado. A impressão era de que nunca ia se resolver porque parece que um fica esperando o outro desistir para poder ocupar um espaço. No entanto, os acordos foram mantidos e não houve desrespeito”.


Em relação à burocracia, Raul afirma que espera aprender com os mais experientes. “A gente vai vendo como funciona e perguntando quando tem dúvida. Dei entrada em um projeto, mas tive o cuidado de consultar o jurídico antes para saber se não havia problemas. Fui recomendado acerca de alguns ajustes e deu tudo certo”, relatou.


Já Telma Gobbi classificou as articulações políticas como “coisa de gente grande”. Ela não demonstrou muita paciência para as conversas sem solução. Durante muito tempo em que os vereadores estavam reunidos na última sessão, ela permaneceu dentro do plenário. “Eu dou uma vez a minha opinião. Se quiserem ouvir, ótimo. Mas não sou de ficar repetindo”, disparou.

 

Apertado

A discussão sobre uma nova sede da Câmara Municipal de Bauru não deve perder força nessa legislatura. Raul Gonçalves de Paula (PV), por exemplo, elenca o espaço físico como uma das principais dificuldades para o trabalho de vereador. “É tudo muito apertado. Se a gente recebe duas pessoas no gabinete, nossos assessores precisam sair”.


Na segunda sessão legislativa desse ano, também já houve polêmica envolvendo um dos novatos. Markinho da Diversidade (PMDB) levantou suspeitas sobre promessa de ‘cura gay’ em uma entidade conveniada com a Prefeitura de Bauru.

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