O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), visitou na manhã desta quinta-feira (28) o projeto do empreendimento imobiliário que será construído para reassentar moradores da Vila Autódromo - área da prefeitura ocupada há 30 anos e que dará espaço à construção do Parque Olímpico, em Jacarepaguá (zona oeste).
O parque será o palco principal dos jogos e transmissões das Olimpíadas na cidade, em 2016.
No local, um "show room" dos apartamentos que serão construídos no local, Paes foi abordado por moradores contrários à saída do bairro. Eles contestaram as justificativa da prefeitura dada à população para deixar a região. De acordo com Paes, a vila é imprópria para moradia porque está sobre uma área ambiental, às margens da Lagoa de Jacarepaguá e de três rios.
O prefeito disse, porém, que os apartamentos são uma opção para aqueles que querem deixar o local. A prefeitura deverá negociar alternativas com aqueles que resistirem à saída. "Ninguém vai ser expulso, retirado de casa. Estamos abrindo esse espaço para que eles possam conhecer [os projetos dos apartamentos] e tomar uma decisão", disse Paes.
Os moradores afirmaram que têm estudos que indicam que a área pode ser urbanizada gastando menos (cerca de R$ 13 milhões) do que a administração deve investir no empreendimento, de R$ 105 milhões. No local há casas em condição precária e também de excelente qualidade.
Segundo os moradores, eles têm a titularidade da área, que foi garantida por meio de um título de posse concedido pelo Governo do Estado do Rio. "A Vila Autódromo tem 30 anos e a urbanização é possível no local. Mas a prefeitura quer que a gente saia para entregar a área aos ricos", disse uma das manifestantes, que não se identificou.
O projeto do Minha Casa, Minha Vida está localizado a cerca de dois quilômetros da vila e comtempla 900 apartamentos de 48 e 61 metros quadrados (dois e três quartos, sendo o último com suíte). Os apartamentos serão concedidos como indenização a famílias de baixa renda que moram na área. Segundo a Prefeitura, são 531 famílias - cerca de 2 mil pessoas.
Segundo a Secretaria de Habitação do Rio, as 531 famílias classificadas como carentes têm renda de até R$ 1.600. As demais famílias que moram no local deverão deixar a área porque foram consideradas de classe média e, portanto, com condições de adquirir outro imóvel. O terreno onde serão construídos os apartamentos foi comprado pela prefeitura da construtora Rossi por cerca de R$ 20 milhões, afirmou o secretário Pierre Batista.
O técnico em manutenção Lourivaldo Silva, 53, divide um terreno na Vila Autódromo com outras três famílias de parentes, totalizando nove pessoas. Ele afirmou que a decisão de migrar para o empreendimento da Minha Casa, Minha Vida, virá a partir da análise da qualidade de onde poderá morar melhor. "Se for para o bem dos moradores, os apartamentos será bom. O que eu quero é poder morar em um lugar melhor e ter uma boa qualidade de vida para mim e para a minha família", disse.