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Itália: Berlusconi se diz inocente em fraude e convoca protesto

Folhapress
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O ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi disse nesta sexta-feira (1) que é inocente no processo em que é acusado de fraude fiscal por superfaturar preços de direitos de exibição de filmes comprados por uma empresa de sua propriedade.


Nesta ação, ele foi condenado em primeira instância a quatro anos de prisão e cassação de seus direitos políticos de três a cinco anos, mas entrou com recurso, que é avaliado nesta sexta. Ele ainda convocou um protesto contra a Justiça por acusá-lo de compra de votos para derrubar o premiê Romano Prodi, em 2006.


Em depoimento, Berlusconi disse que é "totalmente alheio" às acusações de fraude fiscal na Mediaset, que controlava a venda de direitos de filmes americanos a emissoras de televisão. "Entre 2002 e 2003 [quando ocorreu parte da fraude], era primeiro-ministro e jamais tratei dos direitos de exibição", afirmou.


Ele disse ter se assustado com a condenação e disse que o veredicto foi um erro. "Em vez de receber uma medalha de ouro do Estado por das trabalho a 56 mil pessoas, fui condenado a quatro anos de prisão e a interdição dos meus cargos públicos."


Berlusconi foi condenado em primeira instância por envolvimento na compra e venda superfaturada de direitos de transmissão de filmes americanos da empresa Mediaset, de sua propriedade, entre 1994 e 1999. Os juízes suspeitam que o aumento artificial foi feito para evasão de divisas para conta no exterior.


Os magistrados estimam em 46 milhões de euros (R$ 120 milhões) o montante desviado durante a fraude, entre 2000 e 2003. O julgamento começou em 2006, mas foi parado diversas vezes, incluindo o período em que Berlusconi era chefe de governo.


Além do caso de fraude fiscal, Berlusconi responde a outros processos, incluindo o mais conhecido, de abuso de poder por pressionar a liberação da jovem marroquina Karima el Mahroug, acusada de roubo em Milão e que foi presa pela polícia.


Conhecida como Ruby, a jovem teria feito sexo com o empresário durante as festas "bunga bunga" na casa de Berlusconi na cidade quando ainda era menor de idade. Os dois negam a versão, mas outras prostitutas que estavam no evento os acusam do ato sexual.


Protesto


Em sua volta aos tribunais para se defender do processo de fraude fiscal, Berlusconi criticou a Justiça por acusá-lo de compra de votos durante a votação no Parlamento da queda do ex-primeiro-ministro Romano Prodi, em 2006.


Devido às denúncias, ele disse que vai convocar um protesto em 23 de março contra o que chama de injustiça de uma parte dos magistrados contra ele. A data é a mesma em que será anunciada a decisão final sobre o caso Mediaset.


O julgamento dos processos foi suspenso durante o período eleitoral, em que Berlusconi disputou o comando do Parlamento. Após o pleito, encerrado na segunda, a coalizão de centro-direita do ex-primeiro-ministro ficou em segundo lugar, atrás do grupo de centro-esquerda liderado por Pier Luigi Bersani.


No entanto, a diferença entre as duas coalizões e o Movimento Cinco Estrelas, do ex-comediante Beppe Grillo, é pequena e há dificuldade para a formação de um novo governo, o que pode levar a Itália a convocar uma nova escolha.

 

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