Não tenho religião certa, estudei em colégio de freiras, li livros espíritas e frequentei durante um bom tempo a igreja evangélica, que apesar de muito criticada foi o lugar que me encontrei. Não estou escrevendo com intuito de criticar, polemizar, apenas relatar o que de fato aconteceu comigo. No início eu me chocava quando via as pessoas denominadas "crentes," pregando em tom alto, louvando, achava tudo um excesso, demais. Mas quando passei a frequentar, sozinha, por vontade própria e não obviamente pelo amor ou pela dor, percebi e entendi o quão maravilhoso é sentir a presença de Deus em nossa vida. Eu gostava muito de ir ao culto, de ouvir a pregação, do louvor. Muitas vezes eu pedia para conversar com o pastor, em particular após o culto, e ele estava sempre lá, pronto a me ouvir. Pois bem só me esqueci de eles, pastores, são homens e seres humanos como quaisquer outros, cometem erros, falham, assim como todos nós.
A minha decepção começou quando pedi que fosse até a minha casa orar, marcamos e ele não foi, marcamos novamente e ele não apareceu e quando questionei, ele disse que não deu para ir, sem mais explicações. Não gostei da atitude e resolvi mudar de igreja, e o fiz. E para a minha surpresa, mais uma vez me decepcionei com o pastor. Certo dia eu parei meu carro próximo a um banco e o motor ferveu, logo atrás de mim, parado na vaga de motos estava o pastor, que nada fez. Eu estava com minha filha, que é uma criança e uma amiga, nós saímos do carro e ficamos ali, olhando toda aquela fumaça sem saber o que fazer, até que alguns rapazes que estavam passando foram lá nos ajudar, e o pastor continuava dentro do seu carro estacionado em local impróprio, olhando a cena e não prestou ao mínimo para perguntar se precisávamos de ajuda. Passados uns 20 minutos ele se retirou do local.
Diante dos dois fatos, comecei a questionar quanto ao discurso que pregam, de ajudar ao próximo, de que sermos as ovelhas, de que estão prontos a nos ajudar etc. Não quero generalizar, pois acredito que ainda existam bons pastores, que se preocupam, ajudam, cuidam de suas ovelhas. Hoje estou certa de que não é a igreja, o pastor, a pregação, e sim a fé, é ela que faz com que as coisas aconteçam, que cura, que mostra o caminho. Nós como seres humanos e não devemos esperar demais do próximo, devemos acreditar sim no poder da nossa fé!
Lilian Mara de Carvalho Rodrigues