A Câmara dos Deputados recebeu ontem pedido para abertura de processo contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos.
Em um culto realizado em Minas Gerais, Feliciano afirmou que a comissão era dominada por Satanás antes de sua chegada ao cargo.
A deputada Iriny Lopes (PT-ES), ex-presidente da comissão, pediu à Mesa Diretora da Câmara abertura de processo contra ele. Hoje o PSOL também irá entrar com pedidos para que o deputado seja investigado na Corregedoria e no Conselho de Ética.
Desde que assumiu a comissão, o pastor é alvo de protestos que o acusam de racismo e homofobia e pedem sua saída do cargo. Ele nega as acusações e disse que se “sente livre para trabalhar”.
O pedido para analisar a quebra de decoro parlamentar será avaliado previamente pela Mesa Diretora. Se o caso chegar ao Conselho de Ética, o deputado pode ser inocentado, punido com advertência ou ter a cassação recomendada para ser votada em plenário.
Feliciano tenta aprovar hoje na comissão requerimento de viagem a Bolívia para discutir a situação de 12 corintianos presos naquele país pela morte de um jovem durante uma partida de futebol.
Em mensagem publicada ontem e reproduzida no perfil de Feliciano no Twitter, um assessor chama a atenção do pastor para reportagem sobre o caso de uma criança que teria sofrido abusos de um casal gay e afirma que o destino de crianças adotadas por gays é o estupro. O pastor reproduziu a mensagem aos seus mais 160 mil seguidores, sem emitir comentário sobre o conteúdo. Procurada, a assessoria de Feliciano disse que o Twitter é do assessor e que não comentaria a publicação.
Não dá para forçar saída
Vice-presidente da Câmara, o deputado André Vargas (PT-PR) disse ontem que o comando da Casa “não tem o que fazer” para forçar a saída do deputado e espera contar com a “compreensão e sensibilidade” do pastor.
Deputado diz estar se ‘sentindo livre para trabalhar’
Pressionado a deixar o comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, o deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) disse ontem que está se “sentindo livre para trabalhar”’.
Há mais de 20 dias o deputado e alvo de protestos que o acusam de racismo e homofobia e cobram sua saída do cargo. Ele nega as acusações e sustenta que vai permanecer no posto.
Feliciano afirmou que vai conduzir normalmente os trabalhos da comissão hoje. Ele trabalha para aprovar autorização para sua viagem à Bolívia na próxima semana.
A estratégia seria evitar a reunião de líderes da Casa que pretende discutir sua situação. Oficialmente, ele iria ao país vizinho para averiguar a situação de 12 corintianos presos há mais de um mês em Oruro.
“Estou me sentindo livre para trabalhar. Temos muita coisa para fazer nessa semana como deliberar minha ida à Bolívia”, disse.
Feliciano negou que enfrenta uma crise interna no PSC por ter dito que a comissão era dominada por Satanás antes de sua chegada.