Cultura

Animação ?radicaliza? história do Brasil


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Quatro longas de animação entraram no ranking das dez maiores bilheterias de cinema no Brasil em 2012: “A Era do Gelo 4”, “Madagascar 3: Os Procurados”, “Alvin e os Esquilos 3” e “Valente”. Chegará o dia em que a produção nacional disputará espaço nesse suculento filão de mercado? Se chegar, é provável que “Uma História de Amor e Fúria”, que estreou esta semana nos cinemas, venha a ser lembrado como um precursor.

Realizado por uma jovem equipe de animadores, o filme nasceu, segundo o diretor e roteirista Luiz Bolognesi, da proposta de usar estética próxima à das “graphic novels”. Ainda que atinja também adolescentes (classificação 12 anos), o público-alvo são jovens e adultos interessados numa abordagem pop (e provocadora) da história do país.

Quatro episódios estruturam o longa: três deles recriam eventos que ajudam a entender o presente. “Viver sem conhecer o passado é como andar no escuro”, alerta o protagonista (voz de Selton Mello).

Criado a partir de elementos da mitologia indígena, esse personagem fantástico participa de um combate entre índios das etnias tupinambá e tupiniquim, antes da chegada dos europeus. Depois, saltos no tempo levam-no à Balaiada, em 1838, no Maranhão, e também ao final dos anos 1960, quando militantes de esquerda combatiam a ditadura militar.

Prevalece uma leitura alternativa à da historiografia oficial a serviço do poder. Nada de Duque de Caxias: os heróis são outros combatentes. É no quarto episódio, ambientado no Rio de 2096, que o filme mais ousa e incomoda ao imaginar um futuro sombrio. Que tal uma cidade sob o controle de milícias, dividida entre os que têm acesso à água potável e os “sem-água”, e um presidente evangélico? Irado, mano. 

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