O presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, disse ontem que os donos do canal privado Globovisión, que faz oposição ao governo, venderam a emissora porque sabem que o candidato opositor Henrique Capriles perderá a eleição contra ele.
O discurso foi feito um evento em homenagem ao presidente Hugo Chávez, morto em março, em um parque no centro de Caracas. O ato fez parte também de sua campanha para o pleito do próximo domingo.
“Eles venderam esta fábrica televisiva porque sabem que perderiam as eleições e vão embora deste país. Com certeza serão abertas as comportas desta fábrica televisiva à democracia verdadeira, ao respeito ao povo.”
A Globovisión é a única emissora de oposição na televisão aberta venezuelana, cujo sinal é transmitido em Valencia e na capital Caracas. O canal era controlado pelo empresário opositor Guillermo Zuloaga, que vendeu a maioria das ações há um mês para Juan Domingo Cordero, empresário ligado ao setor de seguros. A emissora acumula várias sanções administrativas, multas milionárias e foi ameaçada de fechamento em várias ocasiões pelo governo, que acusa os sócios do canal de “terroristas midiáticos”. A direção do canal citou pressões do governo e o acúmulo de processos como o motivo da venda, que tornam o canal “inviável”.
Os donos da Globovisión afirmam ser vítimas de perseguição política por sua linha editorial. O governo alega que as ações contra o canal respondem apenas a razões legais.