Política

Padre Beto pode se filiar ao PSOL

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.

Padre Beto durante celebração da última missa na Igreja São Benedito; agora pode ingressar na política

Três dias após ter sido excomungado da Igreja Católica em comunicado da Diocese de Bauru, padre Beto parece empolgado com iminente ingresso na vida política. Ele já recebeu convites oficiais para filiação em dois partidos políticos, mas está mesmo inclinado a se juntar ao PSOL, que precisa ser reorganizado em nível local.

Beto já teve contato com equipes de dois deputados da sigla socialista. Um deles é Jean Wyllys, federal do Rio de Janeiro. O jornalista ficou conhecido ao vencer o reality show Big Brother Brasil, em 2005. Homossexual assumido, ele defende as políticas de direitos voltadas ao público LGBT.

Wyllys convidou o padre para participar de um congresso que será realizado em Brasília (DF), no dia 16 de maio, e vai discutir sexualidade e religião. “Já aceitei e estou aguardando as passagens que serão enviadas”, conta Beto.

Além disso, o padre vai participar de um ato de repúdio à sua excomunhão na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. O evento está sendo organizado pelo deputado Carlos Ginnazi, mas ainda não tem data definida.

É possível que em uma dessas ocasiões, seja formalizado o convite para que o padre se filie ao PSOL. Ele admite que a tendência é esta, por entender que está próximo do programa ideológico da sigla. “Estou mais próximo da esquerda”, garante.

Além disso, na repercussão que o caso do padre Beto ganhou na mídia nacional, sua figura ficou bastante associada à questão homossexual, bandeira de Jean, que se consolidou como uma das principais lideranças do PSOL no País.

Os comentários giram em torno da candidatura de padre Beto a uma vaga na Câmara Federal. Ele afirma, porém, que não se decidiu sobre isso. “É algo novo. Nunca pensei em concorrer a m cargo eletivo. Jamais tive essa intenção”, garante.

Outros convites

Apesar da inclinação de Beto ao PSOL, ele afirma ter recebido convite de dois partidos políticos. Um deles não foi revelado. “Foi um pedido da direção do partido não tornar isso público. Por enquanto, estou pensando”, afirma o padre.

O outro convite, porém, é descartado por ele. Beto recebeu proposta de se filiar ao PTB, presidido pelo ex-secretário das Administrações Regionais, Ricardo Oliveira.

O interlocutor da sigla foi o empresário Toninho Gimenes. A negativa se dá em razão da incompatibilidade ideológica com o partido petebista.


Sempre na política

Mesmo sem nunca ter se candidatado, padre Beto sempre esteve próximo da política. Ele já recebeu propostas para concorrer a vereador e, até mesmo, a prefeito. Para o cargo máximo do Executivo Bauruense, o convite partiu do PSDB, em 2012, quando os tucanos não tinham nomes para lançar à disputa e decidiram apoiar a então vereadora Chiara Ranieri (DEM).

Em 2008, Beto apoiou publicamente o candidato a prefeito pelo PSDB, Caio Coube. Além disso, gravou mensagens pedindo votos para diversos candidatos à Câmara Municipal, independentemente de siglas partidária, na defesa de nomes novos na política bauruense.

No ano passado, apoiou o pai de santo umbandista Ricardo Barreira, que concorria pelo PMDB e, em seu facebook, declarou voto em eleições anteriores a Roque Ferreira (PT) e “atestou” a qualidade de sua atuação em seu primeiro mandato como vereador.

Durante os últimos anos, principalmente em seus programas de rádio, fez duras críticas ao governo Rodrigo Agostinho (PMDB).

Além disso, o padre diz estar decepcionado com o PT, sigla defendida por ele na década de 1980. “Ao longo dos anos, fiquei bastante decepcionado”.

Beto também já foi muito próximo do ex-vereador José Carlos de Souza Batata (PT), ainda no início de sua carreira política. O petista atuava na Pastoral da Juventude da Igreja Católica.


Passeata

Uma passeata em apoio ao padre Beto está agendada para este sábado, dia 4. Segundo organizadores, são esperadas cerca de mil pessoas.

A ideia surgiu de um grupo, o “Eu apoio padre Beto”, criado nas redes sociais e que até agora conta com cerca de 2 mil seguidores. “Como o apoio é grande, resolvemos fazer esta passeata, de forma pacífica, para mostrar apenas a nossa opinião. Não pretendemos agredir e nem bater de frente com ninguém da Igreja”, explica uma das organizadoras do evento e responsável pelo grupo, Cristiane Faustino.

Cristiane ainda pede para que todos os que forem participar irem vestidos de branco em sinal à paz. A passeata terá início às 10h30 e sairá da Catedral Divino Espírito Santo até a praça Machado de Melo. O vereador Markinhos da Diversidade (PMDB), que apoia o evento, reforça que a ideia não é reverter a situação e nem questionar nada. “Estamos a favor do padre, contra ninguém”.

Relembre o caso

A Diocese de Bauru se pronunciou no último dia 24 acerca dos vídeos postados nas redes sociais por padre Beto contestando a postura conservadora da igreja. Devido à polêmica que foi criada, a diocese determinou que o padre retirasse do ar os vídeos até o dia 29 de abril e se retratasse publicamente com um pedido de desculpas.

Como a determinação não foi cumprida, no próprio dia 29 a cúpula da igreja se reuniu e decidiu pela excomunhão do padre. De acordo com o comunicado, as opiniões expressas por ele em redes sociais sobre a postura conservadora da igreja e temas como a bissexualidade, amor entre pessoas do mesmo sexo e a fidelidade conjugal traíram o compromisso com a igreja, à qual ele jurou servir no dia de sua ordenação sacerdotal.

Padre Beto está demitido do estado clerical e também banido de quadro de fiéis da Diocese bauruense. Além disso, o ex-sacerdote não pode mais ministrar em nome da instituição religiosa e está impedido de receber qualquer tipo de sacramento.

 

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