Nacional

Só 4 calouros nos 10 mais concorridos da Fuvest se declararam pretos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Nos dez cursos mais concorridos da Fuvest no vestibular de 2012, há apenas quatro pessoas que se declararam pretas e que se matricularam nas carreiras. Em seis profissões, não há nenhuma pessoa que se disse negra.

Nos três cursos mais disputados no ano passado (medicina, engenharia civil de São Carlos e publicidade e propaganda), não há nenhum matriculado que tenha respondido ser preto no questionário aplicado pela Fuvest.

Em relação ao vestibular de 2011, o número recuou 60%, quando dez pessoas que se autodeclararam pretas fizeram matrículas nos dez cursos mais concorridos. Naquele concurso, cinco pessoas que se inscreveram como pretas estavam nos três cursos mais concorridos.

Apenas no curso de design, o décimo mais concorrido, a proporção de brancos matriculados ficou abaixo de 75% -- ficou em dois terços. Em 2011, em oito carreiras os brancos eram acima de 75%.

De acordo com o Censo 2010 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 63,9% dos paulistas se declararam brancos, 29,1% pardos, 5,5% pretos, 1,4% amarelos e 0,1% indígenas. Preto é a designação que o órgão usa em suas pesquisas.

"Nós vamos dar àos turnos tenham, em três anos, 50% de alunos da rede pública, cuja renda per capita familiar seja de um salário mínimo e meio, com cotas para pretos, pardos e indígenas", afirmou o frei David Raimundo dos Santos, diretor-executivo da ONG Educafro.

Pelos dados divulgados ontem, também é possível constatar que menos de um terço dos cursos da USP vão ter estudantes declaradamente pretos. Em geral, eles estão nos cursos com mais baixa concorrência.

O curso com o maior número absoluto de pretos é o de licenciatura em matemática/física, com 17 pessoas. As carreiras de exatas, porém, são as que têm a menor proporção do grupo: 1,9%.

Perfil

A reunião dos questionários socioeconômicos da Fuvest também trouxe outras características que ajudam a definir o perfil dos calouros da USP.

A maioria é formada por homens (54,4%), que estudou em escolas particulares tanto no ensino fundamental como no médio e cuja família tem renda entre três e cinco salários mínimos: de R$ 2.034 a R$ 3.390.

Pais do aluno matriculado, de acordo com o levantamento, têm o ensino superior completo em sua maioria.

Comentários

Comentários