Polícia

Delegado bauruense recebe equipe do FBI em Brasília

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação/Polícia Civil

O delegado Renato Ercolin, da Deco; Miki Plichta, chefe da Unidade do Crime Organizado de Washington; Henry Peres, delegado-chefe da Deco; Freddy Vela, agente especial do FBI; Fernando Cocito, delegado-adjunto da Deco; e Charles Johnston, agente do FBI

A equipe do delegado bauruense Henry Peres Ferreira Lopes, chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco), recebeu na última semana uma equipe do FBI (Federal Bureau of Investigation) com o objetivo de troca de informação e aprimoramento das investigações. Segundo Lopes, o que trouxe o grupo à sede da Deco, em Brasília (DF), foi uma operação deflagrada pela sua equipe que identificou 40 casas de jogos, possivelmente ligadas ao empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

“Foi um curso de combate ao crime organizado de campo, e também uma visão ampla sobre o que o FBI desenvolve nos Estados Unidos. Como eles fazem para reprimir essas infrações e também para mapear as grandes organizações criminosas no país”, explicou Henry Lopes, delegado-chefe da Deco.

A intermediação dos contatos entre as duas equipes aconteceu através de um representante do FBI que atua em Brasília. “Durante a conversa despertou o interesse deles na nossa repressão aos videobingos, às casas de jogos, máquinas caça-níqueis. Fizemos aqui uma repressão bem forte desse tipo de atividade, que apreendeu mais de 300 máquinas em cerca de 40 casas de jogos. Isso despertou a atenção dos agentes do FBI porque eles acreditam que você reprimindo as infrações pequenas, você vai intimidar as organizações criminosas”, acrescentou o delegado.

Essa ação da Polícia Civil acabou identificando suspeitos que provavelmente atuavam com o empresário Carlinhos Cachoeira. Essas pessoas eram responsáveis pelos 40 pontos de jogatina que faziam parte do esquema.

“O esquema era bem articulado e fomentava também a prática de outros crimes como a lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas. A renda obtida era muito alta, cada casa faturava R$ 4 mil por dia. Era um esquema milionário. É interessante para eles porque esse tipo de crime lá nos Estados Unidos é muito praticado pela máfia russa, também envolvida com golpes de seguradoras”, apontou o delegado-chefe.

Informações

A equipe do FBI permaneceu 10 dias no Distrito Federal para a troca de informações com a equipe da Deco. Seis policiais brasileiros e seis americanos participaram do encontro. “Eles mostraram como fazem as investigações e nós também. O que nos chamou a atenção é como a prova é tratada lá. Aqui no Brasil, quando você faz uma interceptação telefônica, por exemplo, você tem que pedir autorização. Lá eles não precisam dizer em juízo como chegaram às provas do crime. O ponto negativo dessa exposição de como as provas são colhidas é que acaba servindo de informação para as quadrilhas, que aprendem como a polícia descobre certas informações”, apontou Lopes.

O encontro também serviu de subsídio de técnicas para serem usadas na Copa das Confederações, já que Brasília será uma das sedes do evento.


Delegado-chefe

Henry Peres Ferreira Lopes, 41 anos, delegado-chefe da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco) de Brasília, nasceu em Bauru e aqui também cursou direito. Durante mais de um ano estudou especificamente para prestar o concurso da Polícia Civil e com 26 anos assumiu como delegado. Lopes é chefe da Deco há pouco mais de um ano.

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