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Ecos da estrovenga:
madeira ou pereira?

Ismar Pereira
| Tempo de leitura: 2 min

Em matéria de nome, eu sou um predestinado. Quando nasci, meus pais resolveram prestar uma homenagem ao meu avô paterno. E "ganhei" o nome dele: Josino. (Eu disse ganhei porque foi um "presente de grego", ou seja, aquela história de fazer continência com o chapéu alheio). Entretanto, como era estranho chamar um recém-nascido pelo nome de um idoso, escolheram mais um nome: Ismar.

Aí começaram a surgir as consequências geradas pelo fato de os nomes não serem "combinados". Consequências não graves, mas um tanto desagradáveis. Em todas as escolas que frequentei, sempre me chamaram de Josino ? geralmente é usado o primeiro pré-nome. O nome do meu avô também me "perseguiu" na minha vida profissional.

Ao mesmo tempo, em famíli, sempre fui tratado pelo segundo pré-nome: Ismar. Inclusive pelas pessoas que conheci através de relacionamentos familiares.

Esse "binômio" chega a provocar situações curiosas, como quando vou visitar um casal amigo. Ele, eu conheci no curso ginasial. Ela, na casa de meus parentes. Assim, quando toco a campainha, ela abria a porta, cumprimenta-me efusivamente e diz em voz alta: "O Ismar está aqui!" O marido vem abraçar-me fraternalmente e pergunta: "Como vai, Josino?"

Eu fico com a impressão de que sou duas pessoas ? o Josino e o Ismar -, já que sou chamado por dois nomes diferentes ao mesmo tempo. Sem falar que já me chamaram de Jesuíno, Jovino, Joãozinho etc. Diante dessas turbulências, resolvi imitar aquele oftalmologista ? o maior cirurgião de Bauru na sua especialidade ? e "adotei" apenas dois nomes: Ismar Pereira. E pensei, feliz: Agora os meus problemas acabaram!

Ledo engano! Quando foi publicado um artigo de minha autoria na Coluna "Opinião", deste Jornal da Cidade do dia 14 de maio, todo mundo ficou surpreso. Os leitores com o título da crônica: "A estrovenga". E eu com o sobrenome do autor: Madeira! É isso mesmo: Ismar Madeira, o nome daquele jornalista da Rede Globo lá de Belo Horizonte. É verdade que toda pereira é madeira. Mas nem toda madeira é pereira.

Assim, como essa troca não poderia permanecer tão "incólume" quanto ignorada, já que o artigo foi escrito pelo Pereira e não pelo Madeira, resolvi abusar da paciência dos prezados leitores pedindo-lhes uma grande gentileza. Por favor: Onde se lê Ismar Madeira, leia-se Ismar Pereira!

O autor, Ismar Pereira, é advogado aposentado e colaborador de Opinião.

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