Fotos/João Rosan |
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Centímetros separam a casa de Cosmerina Portela de Oliveira de um enorme buraco |
Não foi apenas uma impressão dos bauruenses. As fortes chuvas que atingiram a cidade esta semana realmente foram acima da média. Tanto que, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), trata-se do maio mais chuvoso dos últimos nove anos. Para a população, principalmente de ruas não pavimentadas, resta lidar com os estragos.
Até as 21h de ontem, o volume acumulado do mês somava 123,2 milímetros. De acordo com o IPMet, só choveu mais em maio de 2004, quando foram computados 172 milímetros de chuva em Bauru.
Só nos três últimos dias, a chuva acumulada na cidade chegou a 118 milímetros. A quantidade é muito maior do que toda a média prevista para o
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Claudinéia Caleda mora na Benedito de Brito, no Jaraguá: “A rua nem parece rua” |
mês, que era de 87 milímetros.
Conforme o JC tem noticiado nas duas últimas edições, a chuva esta semana tirou o sono dos bauruenses. Como de costume, os pontos críticos foram rapidamente alagados. Destaque para a Nações Unidas, onde a força da água colocou, mais uma vez, vidas em risco.
Em resposta à população, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) falou ao JC em interditar totalmente a avenida. Contudo, a solução definitiva viria com a recanalização do Ribeirão das Flores ou até mesmo, conforme defende o prefeito, com a “renaturalização” do afluente. O problema é que o município não tem verba para nenhuma das opções.
Porém, longe da Nações Unidas, a chuva
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Na alameda Acrópole, Santa Edwirges, erosão impede entrada de carros nas garagens |
também colocou vidas em risco. É o caso dos bairros Parque Jaraguá e Santa Edwirges. A chuva chegou quando esses locais passavam pela instalação de galerias e, assim, as obras foram paralisadas. O problema foi que ficaram verdadeiros abismos nas ruas de terra.
Exatamente à beira do abismo que Cosmerina Portela de Oliveira, 62 anos, está vivendo. O buraco a poucos centímetros do seu portão, na rua Valdemar Fabris, impressiona. A placa de “Pare” sumiu em meio ao amontoado de terra. “Levou até a lixeira que eu tinha colocado. Se chover mais, não sei o que vai ser”.
A mesma situação da rua Alameda Acrópole. Na quadra 3, Rosineide da Silva, 60 anos, conta que o carro do seu filho não entra mais na garagem. “Ele tem que deixar o carro na sorveteria em que ele trabalha. Aqui, não passa mais carro”, reclama a costureira.
Atolou
Na alameda Tebas também é difícil passar de carro. Por isso, a diarista Izilda Panisa, 57 anos, resolveu sair de sua casa, na quadra 5, a pé. Mesmo assim, ficou atolada. “Quando saí para trabalhar, meus pés afundaram”, conta a mulher, apontando para a grande erosão, produto de mais um trabalho municipal interrompido pelas chuvas.
Enquanto tem ruas interditadas pelas obras paradas, há outras vias que nem parecem ruas. É o caso da Benedito Leite de Brito, no Jaraguá. A via está tão ruim que a reportagem não conseguiu percorrê-la completamente. “Fico acordada 24 horas quando chove”, desabafa Claudinéia Caleda, 43, que mora na quadra 4 da rua.
O secretario de Obras, Sidnei Rodrigues, confirma o problema. “Essas obras realmente estão comprometidas. Está tudo parado”, afirma. E não será possível retomar as escavações até as chuvas pararem. “Todas envolvem terraplanagem. Precisamos esperar a chuva passar mesmo”, finaliza o titular da pasta.
Tempo começa a melhorar hoje
Boa notícia para quem quer aproveitar o feriado prolongado. De acordo com as previsões do IPMet, o mau tempo começa a dar uma folga aos bauruenses a partir de hoje. Porém, vale o alerta: há possibilidades de chuvas fortes ainda na manhã desta quinta-feira.
“O feriado deve começar com chuvas e elas podem ser intensas. Isso deve ocorrer em Bauru e em todo o Estado pela manhã. Porém, a partir do começo da noite, o tempo começa a melhorar”, afirma o meteorologista Eduardo Miranda Gonçalves Dutra.
De acordo com as previsões, sexta e sábado devem ter predomínio de sol, com algumas nuvens. “Mas, no domingo, virá uma nova frente fria. As previsões apontam que as chuvas não devem ser tão intensas como foram as desta semana”, complementa.
Já as temperaturas também devem começar a aumentar ao longo dos dias. “Serão manhãs um pouco mais frias e tardes com temperatura agradável”, finaliza o meteorologista Eduardo Dutra.
E a dengue?
Em meio a tantas notícias ruins, o secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, consegue ver um ponto positivo. Ele acredita que a queda de temperatura fará com que diminuam as ocorrências de dengue em Bauru.
No entanto, há um paradoxo. Enquanto o frio é desfavorável para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, a água deixada com a chuva deve criar mais focos da doença.
“Eu acredito que a queda de temperatura seja mais determinante. O problema são as chuvas de verão, que deixam a água e não diminuem a temperatura. Essa chuva desta semana trouxe frio e, por isso, acho que o clima pode diminuir os números da dengue”, teoriza Monti.