Esportes

Noroeste: luz no fim do túnel?

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr. 31/3/13

Torcedores lamentam queda após derrota para o Capivariano

Um caso que teve ampla repercussão na imprensa alagoana, pode ter desdobramento também no Estado de São Paulo. O atacante Denílson, que defendeu o Red Bull no início da Série A-2 do Campeonato Paulista, foi alvo de polêmica por suposta dupla identidade, em maio, na reta final do Campeonato Alagoano.

Após deixar o Red Bull, em fevereiro, o atacante foi para o CRB e, em maio, o CSA entrou com uma ação no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Alagoana de Futebol, que no final do mês passado acabou rejeitando o pedido. Porém, a história que envolve o atleta chama a atenção.

O caso

Denílson Martins Nascimento, 36 anos, começou a carreira no Camaçari, clube do interior baiano. Pouco depois, foi transferido para o futebol português, para defender o União Lamas, em meados de 1997. Porém, o atleta teria sido registrado com outro nome: Nilson do Nascimento Silva. Tanto que a Confederação Portuguesa alega nunca ter tido nenhum jogador com o nome Denílson Martins Nascimento, apesar de, em seu currículo, constar o time português.

O jogador fez praticamente toda a carreira no Exterior, e em 2009, usando o nome Denílson, foi artilheiro do Mundial de Clubes, com quatro gols, defendendo o Pohang Steelers, da Coreia do Sul. Em 2011, retornou ao Brasil, atuando pelo Mogi Mirim, e no final do ano passado acertou vínculo com o Red Bull, onde ficou na primeira metade da Série A-2, indo para o CRB.

Ou seja, Denílson e Nilson seriam a mesma pessoa, que estaria utilizando dois CPF’s com números distintos. Foi com base neste argumento que o CSA entrou no TJD de Alagoas.

No último dia 25 de maio, o Globoesporte.com de Alagoas publicou entrevista com o atleta, que afirmou não temer a situação. “Sei que não devo nada a ninguém, nem à Justiça. Quem quiser se manifestar, ou qualquer coisa, que fique a vontade, porque a gente também vai correr atrás do prejuízo”, explicou.

“Isso aconteceu quando eu ainda era um menino, lá na Bahia, quando joguei no Camaçari. Eu estava vivendo um bom momento, e um empresário me procurou. Ele me prometeu mundos e fundos, disse que eu ganharia a Europa, e outras coisas. Só que entre as condições para que isso acontecesse, ele falou que o Camaçari não poderia ficar sabendo, e disse que eu precisaria tirar duas letras do meu nome. Realmente esse documento foi criado, mas eu descobri a tempo, e nunca cheguei a usá-lo. É até um alerta que faço aos garotos de hoje, que não se deixem levar por pessoas que prometem tantas facilidades”, relatou o jogador ao portal.

Em São Paulo

Quando entrou com o processo contra o seu rival CRB, o CSA alegou que a irregularidade, que envolveria a documentação do atleta no retorno ao Brasil, abrangeria o Mogi Mirim e o Red Bull, clubes que o jogador defendeu após voltar ao País, abrindo brecha para um imbróglio na Série A-2 deste ano. O Red Bull terminou na oitava colocação e foi para o quadrangular final (não conseguiu o acesso), o que pode dificultar uma reviravolta na Segundona, pois a própria segunda fase teria de ser refeita.

Primeiro clube na zona de rebaixamento, o Noroeste seria interessado direto na situação, pois com os pontos que o Red Bull perderia, o clube de Campinas entraria na zona de rebaixamento, livrando o Norusca da degola.

O JC apurou que o Noroeste e outros clubes tem interesse em entrar no TJD da Federação Paulista de Futebol (FPF). Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Federação afirmou que nenhum clube ainda procurou a entidade protocolando ação no TJD.

Porém, o precedente parece pouco favorável ao caso, primeiro pela própria situação em Alagoas (que não teve êxito) e também pelo fato de outras situações semelhantes, envolvendo documentação do Exterior, não terem conseguido emplacar na Justiça Desportiva. O caso seria tratado, se comprovadas irregularidades, mais no âmbito da Justiça Comum, com o cidadão em questão, do que com os clubes envolvidos.

O presidente Anis Buzalaf Jr. disse que existe a intenção do clube de ir atrás do caso, mas só vai se pronunciar posteriormente.


‘Torcedor Fidelidade’

O presidente Anis Buzalaf Jr. informou que acertou patrocínio com a Casas Paraná. A empresa do Sul vai dar uma casa no valor de R$ 40 mil ao clube, para ser sorteada futuramente entre os noroestinos que aderiram ou que desejam aderir ao plano “Torcedor Fidelidade”, lançado no começo do ano. “É uma forma de incentivar a torcida a aderir ao projeto”, destaca Buzalaf.

Para a próxima semana, existe a expectativa que uma empresa do Sul do País passe a patrocinar o time principal. As categorias de base já contam com o aporte de uma empresa sulista, que ainda não foi divulgada pois falta enviar a assinatura do contrato.


Base em ação

Os times sub-15 e sub-17 do Noroeste jogam hoje no Alfredão, a partir das 9h, ambos recebendo a Santacruzense. Já o sub-20 vai até São José do Rio Preto para enfrentar o América. Todos os jogos são válidos pelo Campeonato Paulista das categorias.

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