Éder Azevedo |
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Com nariz de palhaço, funcionários do Sucen protestam em frente ao prédio do DRS-6, em Bauru |
Com nariz de palhaço e cantando versos, cerca de 50 funcionários da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) protestaram em frente ao prédio do Departamento Regional de Saúde (DRS-6), em Bauru, na manhã desta terça-feira (11). Eles reivindicam reajuste salarial no período de cinco anos, aumento no valor de vale alimentação e transparência no critério do prêmio de incentivo aos funcionários da saúde do Estado de São Paulo. Segundo assessoria de imprensa, o governo do Estado aprovou um novo plano de cargos e salários para a categoria.
Há uma semana, cerca de 50% dos funcionários de campo da Sucen – que vão às ruas no combate à dengue, por exemplo – paralisaram as atividades e só pretendem voltar após “negociação coerente” por parte do governador Geraldo Alckmin. “A perda salarial em relação à inflação, de cinco anos para cá, segundo cálculo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese), aponta um reajuste de 32,2%. Também estamos pedindo reajuste no nosso vale alimentação de R$ 8,00 para R$ 26,22, além de transparência na distribuição do prêmio de incentivo igualitário no uso da verba do Fundo Estadual de Saúde (Fundes), oriunda do Governo Federal”, disse Pedro Dourado de Carvalho, delegado sindical de base da Sucen.
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Éder Azevedo |
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O delegado sindical de base da Sucen, Pedro Dourado de Carvalho, espera uma decisão do governo até sexta-feira |
De acordo com Carvalho, ao longo dos anos, o prêmio de incentivo dado aos funcionários não é “justo”, pois trabalhadores de baixo escalão recebem R$ 180,00 e outros, como diretores, o valor chega a R$ 7 mil.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde, em 2011, o governo do Estado aprovou um novo plano de cargos e salários para a categoria, resultando em aumentos entre 9% e 40% no salário, além de uma reorganização nas classificações dos servidores, mais funcional e prática.
No ano passado, um novo aumento, de 7%, foi concedido. Em maio de 2012, o governo do Estado reajustou em 100% o vale-refeição dos servidores, incluindo os da saúde.
Os médicos ganharam, em 2012, um novo plano de carreira, com salários que podem chegar a R$ 14,7 mil, além de possibilidade de jornada de 40 horas para fixar os profissionais nas unidades.
Ainda segundo a assessoria, o governo de Estado e a Secretaria de Estado da Saúde vêm, desde 2011, promovendo uma política consistente de valorização dos servidores estaduais da Saúde. O SindSaúde-SP, sindicato que faz oposição sistemática ao governo, se recusa a reconhecer tais iniciativas.
A Secretaria mantém a negociação com o SindSaúde-SP, mas determinou o corte do ponto dos poucos funcionários que aderiram à greve em todo o Estado. Apenas quatro das 203 unidades estaduais de saúde foram afetadas, e mesmo assim de forma parcial.
Assembleia
Na próxima sexta-feira (14), haverá uma assembleia em São Paulo para discutir a greve. Espera-se cerca de cinco mil funcionários da saúde de todo Estado em uma passeata na avenida Paulista. As reivindicações da Sucen devem ser debatidas ainda na quarta-feira (12).
“O governador deve retornar de uma viagem à França amanhã. Ele, assessores e mais oito integrantes do sindicato de saúde do Estado devem compor a mesa de negociação e, no fim de semana, creio que teremos uma posição em relação as nossas exigências”, pontua Carvalho. Ele diz, ainda, que as atividades, em Bauru, só serão normalizadas após uma proposta coerente do governador.
A assessoria de imprensa afirma que em muitos casos os servidores se reúnem para uma pequena manifestação na porta das unidades e depois voltam ao serviço normalmente. Em outras unidades os sindicalistas tentam impedir a entrada dos pacientes. A orientação da Secretaria é que os pacientes não se intimidem com a ação dos sindicalistas e entrem nas unidades, onde os médicos estão trabalhando normalmente. É inaceitável que grevistas impeçam pacientes de realizar seus exames e consultas.
Também está em andamento a organização de um mutirão de saúde para atender os pacientes que foram prejudicados pela ação do sindicato.
Representantes da região
Além dos funcionários da categoria de Bauru estiveram presentes em frente ao prédio da DRS-6 os representantes de cidades da região, como Domingos Benedito, diretor regional do Sindicato da Saúde de Marília. Domingos discursou aos funcionários e cantou versos para incentivar a causa, como “estou doente, quero salário de presidente”, referindo-se ao descaso em relação às reivindicações salarias dos profissionais de saúde. “Estamos há 10 anos sem aumento e o governo, até agora, não apresentou nenhuma proposta. Em 2006, foi criada a lei da data base na assembleia legislativa e o próprio Alkmin não respeitou a lei que ele mesmo aprovou”, ressalta.
Em Marília, 80% dos funcionários aderiram à paralisação, enquanto em Assis, 100% .
E a campanha contra a dengue?
Questionado sobre a campanha realizada em Bauru no combate à dengue, que já registrou duas mortes e mais de cinco mil casos somente neste ano, o presidente sindical do Sucen, Pedro Dourado, confirmou que o trabalho feito diretamente nos bairros de Bauru está sendo prejudicado por causa da greve.
“Infelizmente, a população sofre com isso. As visitas de controle de dengue nas residências não estão mais sendo feitas, porque todo esse pessoal que está parado é quem faz o trabalho de campo. Mesmo assim, a prefeitura continua com a ação, mas sem o nosso apoio”, diz.