Quioshi Goto |
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Um dos mais conhecidos da região, calçadão da avenida Getúlio Vargas é convite diário para a prática esportiva e passeios
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Ele tem sete quadras de muito movimento, comércio e todo o tipo de manifestação e ações imaginadas. Quando alguém quer ser visto e/ou ouvido, o Calçadão da rua Batista de Carvalho é garantia de sucesso, já que atrai milhares de consumidores de toda a região, diariamente. Mas longe do comércio central, os outros “calçadões” de Bauru também atraem, por outros motivos.
Espalhados por diversos bairros da cidade, os calçamentos mais largos e extensos se transformam em calçadões e são visitados pelos que procuram um bom lugar para caminhar, correr, levar o cachorro para passear ou brincar com os filhos. E há até quem aproveite esse movimento para aumentar a renda, como fazem os vendedores de água de coco vistos na avenida Getúlio Vargas, por exemplo.
E estes espaços são numerosos. Basta rodar pelo munícipio, principalmente pela manhã e no final da tarde, para ver os atletas do dia a dia se exercitando nos “calçadões” da Getúlio, da Unesp, Nações Norte, estádio do Noroeste e ginásio Panela de Pressão, Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Condomínio Residencial Parque das Camélias, entre muitos outros calçamentos extensos espalhados pelos quatro cantos da cidade.
“Eu moro na Vila Cardia há décadas e todos os dias me levanto cedo para caminhar pelas calçadas do DER e passear com meus cachorrinhos. Espaços como este são ótimos, principalmente para os aposentados, que precisam se exercitar”, comenta o aposentado Alcídio Claus.
Entretanto, para especialistas, a procura por calçamentos para o lazer e atividade física revela que a cidade não abriga, ao menos em quantidade suficiente, lugares mais adequados para esses fins.
Nos bairros, áreas públicas viram academias ao ar livre
Hospital Estadual de Bauru (HE), sede do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I), base do Samu e dependências da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Tais prédios públicos estão localizados na mesma avenida: a Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, no Núcleo Residencial Presidente Geisel. Arborizada e iluminada, ela também conta com um dos “calçadões” mais utilizados de Bauru, com direito a pista de cooper, ciclovia e academia ao ar livre.
Além do espaço que convida à prática de atividade física, o “calçadão da Unesp” dispõe da paisagem da área verde que margeia a avenida e é conhecida como floresta urbana. Bom para os moradores da região, como os residentes do Núcleo Presidente Geisel e Jardim Colonial, por exemplo, que podem desfrutar do cheiro e da beleza da mata enquanto fazem suas atividades físicas diariamente por ali.
Mas não é difícil encontrar visitantes de bairros um pouco mais distantes que também aproveitam o espaço para a prática de atividade física, seja de manhã ou no final da tarde. A dona de casa Aparecida Biasin, por exemplo, há quatro anos faz suas caminhadas por lá e garante que, além de cuidar da saúde, ainda coloca o papo em dia, seja com amigas ou com pessoas da família, como a neta Giovana Biasin, que estava com ela quando a reportagem a abordou.
“Eu moro no Bauru 22 e venho com meu carro. Estaciono em um bom lugar e caminho. Aqui é um lugar tranquilo e me sinto segura por causa da presença da Polícia Militar na avenida”, conta.
Caminho seguro
E para quem vai de bike? Para a estudante de arquitetura e urbanismo Larissa Ayumi, o calçamento da avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube faz parte do caminho entre a sua casa, no Geisel, e a Unesp, onde estuda.
“Eu uso esse trecho para me locomover de maneira segura com minha bicicleta. Há três anos eu passo rápido pela ciclovia. É como se eu cortasse caminho, mas mesmo com a pressa, eu noto o quanto esses espaços são bem utilizados em Bauru”, oberva a estudante.
Segundo Larissa, que é de São Paulo e está em Bauru por causa dos estudos, as vias exclusivas para pedestres são melhor aproveitadas no Interior. “Aqui, as pessoas as utilizam para passear com cachorros, brincar com os filhos e fazer atividade física. Por isso, acho que esse tipo de calçamento, inclusive com equipamentos de ginástica, deveriam existir em toda a cidade”, acredita.
Às margens da Nações Norte
Inaugurado há dois anos, o trecho de 3,5 quilômetros da avenida Nações Unidas Norte tornou-se também local de lazer para os moradores dos bairros vizinhos. Diariamente, o extenso calçamento presente em um dos lados da via é ocupado por pessoas que vão caminhar, brincar com os filhos, passear com os cachorros, soltar pipas...
“Achamos que esse espaço feito aqui para os pedestres ficou muito bom. Esse lado da cidade estava precisando de um lugar onde a gente pudesse caminhar tranquilamente”, opina o funcionário público Eric Misquiatti, ao lado da esposa Andrea Misquiatti.
“Moramos no Bela Vista, bem pertinho daqui, e ficamos animados ao ver o pessoal caminhando. Há cerca de um mês frequentamos o lugar diariamente em busca de saúde e para perder alguns quilinhos”, acrescenta Andrea.
Entre os bairros próximos à Nações Norte estão: Vila Seabra, Jardim José Kalil, Jardim Nossa Senhora de Lourdes, Vila Bom Jesus, Jardim São Jorge, Vila Marajoara, Jardim Coral, Jardim Progresso, Núcleo Residencial Alto Alegre, Parque Roosevelt, Parque Vista Alegre, Vila Formosa, Jardim Maria Angélica, Jardim Ponte da Castelo, Jardim Godoy, Jardim Jacyra, Jardim Estrela D’Alva, Vila Garcia, entre outros.
‘Calçada-parque’
A extensão dos calçamentos espalhados pelos bairros também atrai os que buscam um lugar seguro para as brincadeiras de crianças. E o calçadão da Getúlio Vargas é um dos espaços diariamente “invadidos” por pequenos ciclistas que se divertem enquanto os adultos suam a camisa.
Exemplo é Eduardo Castiglioni Barbante, 4 anos, que aproveita a disposição e o amor do avô Décio Luiz de Morais Castiglioni para gastar as energias: “Eu gosto de andar de bicicleta, patinete, de ver os aviões no aeroporto e de fazer ginástica na Getúlio”, diz entusiasmado.
E haja pique para o avô acompanhar o neto em suas aventuras. Ele, que mora na região da avenida, também aproveita o lugar para colocar a saúde em dia com a prática de caminhadas.
“Isso eu faço já há algum tempo, e como esse calçadão é um ótimo lugar para passear com crianças, eu aproveito agora para trazer o Eduardo, que se sente solto e pode brincar à vontade. Inclusive, acredito que esse tipo de calçamento deveria existir também em outros pontos da cidade”, opina o comerciante, adepto dos calçadões.
Procura por ‘calçadões’ denuncia falta de espaço para lazer e atividade física
Ao menos três vezes por semana e há 11 anos, o cabeleireiro Juan Gamarra faz da calçada da avenida Getúlio Vargas a sua academia ao ar livre. Amante de uma boa ginástica e corrida, ele prefere lugares abertos para se exercitar. E embora goste do espaço que frequenta, ele ressalta que a cidade é carente de ambientes que proporcionem atividades ao ar livre.
“Aqui mesmo, no calçadão da Getúlio, poderiam ser construídos um campinho de areia ou uma quadra, o que favoreceria a prática esportiva. Em minha opinião, o espaço existente entre o alambrado do aeroclube e a calçada deveria ser melhor aproveitado. Bauru também precisa e merece mais parques verdes”, enumera.
Para os professores do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Sagrado Coração (USC) Paula Chamma e Danilo Gomes, é visível que falta espaço público para o lazer, contemplação e atividades físicas na cidade.
“De forma geral, há uma total carência de espaço público em Bauru, o que leva as pessoas a procurarem lugares que não são os mais adequados para a recreação, como a avenida da Unesp e outras calçadas de percurso contínuo. Já o calçamento da Getúlio Vargas, embora não seja a sua principal função, vem se tranformando em um lugar interessante em termos de lazer e atividade física”, observa a professora.
Ao mesmo passo, Gomes analisa que esse movimento vem da própria população, que se apropria do espaço que, mais tarde, recebe melhorias do poder público. “Isso é legal porque melhora e transforma a cidade. Contudo, esses trechos não têm a infraestrutura necessária. São calçamentos simples, com problemas de acessibilidade, vegetação e iluminação”, aponta.
Parque linear
Ainda segundo Gomes, uma tendência atual dos centros urbanos é buscar espaços para os veículos. Entretanto, ele destaca a importância de também encontrar alternativas para a construção de novos ambientes para os pedestres, como parques e bosques.
“Na verdade, falta um parque linear. Esses espaços possuem quilômetros de linha preparada para o pedestre, com ciclovia, área verde e tudo mais. Algo que o município ainda não tem”, completa Chamma.
De acordo com os professores, avenidas com o canteiro central largo têm potencial para a formação de áreas desse tipo. Exemplos são as avenidas Comendador José da Silva Martha, Nações Unidas em seu trecho mais alto e a avenida central do Mary Dota.
Em nota, a Secretaria Municipal de Obras informou que, no momento, não há previsão de instalação de novos “calçadões” para caminhada na cidade, uma vez que o Plano Plurianual está sendo elaborado e, caso haja recursos, novos pontos de caminhada serão construídos na cidade.
Getúlio e Unesp
A calçada da avenida Getúlio Vargas foi entregue junto com a duplicação da avenida e da Praça da Copaíba, em 2004, e segue da quadra 9 à 20 da via. No mesmo ano foi entregue o calçamento da avenida Luiz Edmundo Coube, junto com a duplicação da via e com a construção da ciclovia, que possui 1.100 metros. A obra teve recursos do Estado e da Prefeitura Municipal. As duas obras foram iniciadas em 2003.
Você sabia?
O sonho de transformar uma rua em calçadão foi realizado pela primeira vez no Brasil na cidade de Curitiba, em 1972, com o calçadão da Rua das Flores, na rua XV de Novembro. Espaço turístico por lá, o calçadão mais antigo do País tem um quilômetro de extensão e é a primeira grande via pública feita exclusivamente para pedestres. Além do seu valor histórico, nele estão alguns dos mais importantes prédios da cidade: Palácio Avenida, Teatro Guaíra, além do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Já a cidade de São Paulo possui uma grande quantidade de ruas voltadas aos pedestres na região central, como o famoso calçadão do Vale do Anhangabaú. Muitas cidades à beira-mar, como Santos e Rio de Janeiro, por exemplo, também possuem calçadões que seguem a orla do mar. Entre eles, o mais famoso e badalado do Brasil é o calçadão de Copacabana, um dos mais visitados do mundo.
Fonte: www.guiaturismocuritiba.com e www.wikipedia.org