Desde que a UNE, União Nacional dos Estudantes, tornou-se aliada ao governo PTista e financiada por ele, nunca mais vimos passeatas e manifestações populares reivindicativas. Confesso que sempre me incomodei com a indiferença da sociedade perante tanta mazela e abusos gerais na gestão do dinheiro público, além, e principalmente, de se promover neste país uma gestão de modelo esgotado, e que dá aos jovens pouca perspectiva de futuro promissor. Utilizando a internet para articulação das manifestações, um expressivo grupo de jovens sai à rua para dar um basta neste modelo.
Perdidos inicialmente e utilizando o transporte público como pano de fundo, esses jovens querem demonstrar as suas insatisfações com os serviços prestados na segurança pública, saúde, educação, tributação, infraestrutura, transporte, etc... Refiro-me, obviamente, à grande maioria de jovens que protesta pacificamente e sem partidos políticos, religião e qualquer outra crença. Aos baderneiros/ vândalos, espero que sejam localizados pela polícia e desejo a cadeia como destino.
Para os jovens idealistas eu desejo que tenham fôlego, que aprimorem as suas propostas e busquem formas criativas e objetivas de fazer a classe política entender o recado das manifestações. Nossos políticos perderam a noção do ridículo. Perderam a vergonha na cara. Brasília se transformou num grande salão de jogos e barganhas políticas, inchado imensamente por apadrinhados políticos incompetentes e que custam caro a nação. Outro fator que incomoda é a impunidade.
O Mensalão julgou, condenou e toda a corja corrupta continua solta, ganhando cargos públicos e trabalhando como se nada tivesse acontecido. E já falam em dois anos de espera. No Brasil dos comuns não basta ser correto. Você precisa provar para a Justiça e fiscalização que é correto e que cumpre todas as leis vigentes. Ser "mocinho" e "bonzinho" é coisa de xarope. A nossa burocracia escandalosa favorece a corrupção e promove o jeitinho brasileiro de resolver as coisas, impõe dificuldades para "vender" facilidades. Os jovens brasileiros que estudam, acessam a internet, leem jornais e revistas, etc já perceberam que este país não tem futuro. Deixamos de ser os queridinhos do mundo todo e já enfrentamos sérios problemas de credibilidade em geral, além de improdutivo e pouco competitivo.
Deixamos o país do futebol e carnaval para trás. Queremos cidadania e respeito. A nossa indústria está sucateada. O produto importado ganha espaço no mercado interno. Ao invés de barreiras alfandegarias (impostos de importação), queremos condições para competir tecnologicamente e profissionalmente. Este país ao invés de rumar para meritocracia, ganhar formas e estrutura tributária para competir no mundo global, ruma no caminho inverso, ou seja, os aumentos de custos, burocracia, falta de infraestrutura, etc tornam o nosso país cada vez menos competitivo e sem perspectiva.
Acho que o jovem começa a entender este processo e quer mudança urgente, a fim de garantir ou melhorar suas perspectivas futuras. Não sabemos como acabará este movimento. Mas torço para que a sua essência dure, persista e vença. Precisamos ir às ruas sim em nome da ética, respeito aos cidadãos e a busca de um país com oportunidades no trabalho de primeira classe. Queremos futuro! Queremos que as esmolas que compram voto sejam "investimentos" para uma sociedade mais justa e trabalhadora. E não esmola!
O autor, Ricardo Coube, é empresário, presidente do Bauru Tênis Clube