Sem dúvida, a grande bandeira do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) em suas campanhas eleitorais foi o asfalto. A fragilidade como o recape se desmancha e deixa buracos nas vias, porém, é reclamação constante dos bauruenses. E a situação está pior em 2013. Por conta das chuvas anormais e da falta de fôlego financeiro da prefeitura, a operação tapa-buracos da Secretaria de Obras está um mês atrasada.
Os trabalhos são realizados de acordo com a estiagem. De acordo com o cronograma, geralmente, os reparos estão bastante adiantados no fim de junho. Este ano, porém, não foi assim. Já no inverno, os buracos “de verão” ainda atormentam. “Se não chover, iremos conseguir amenizar a situação somente no fim de julho. Repito: isso se não chover mais”, explica o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues.
João Rosan |
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Cratera interrompe o trânsito na rua Luiz Marcílio Bernardo, no núcleo Nobuji Nagasawa, conhecido por Bauru 2000 |
O titular da pasta esclarece que o atraso de um mês se deve às chuvas que caíram no período que é marcado pela estiagem. Os dados do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) confirmam que choveu mais. Para se ter uma ideia, 2013 teve o maio mais chuvoso dos últimos nove anos. Foram 144,3 milímetros.
Com apenas nove dias, este mês também já teve mais chuva do que julho inteiro do ano passado. Já são 14,2 milímetros contra 11,4 o mesmo mês de 2012.
“Bauru tem atualmente 13 mil quadras pavimentadas. A estimativa é de que, dessas, 7 mil estejam sem recape e, por isso, sofrem mais com as chuvas”, aponta o secretário.
Além de deixar a rua esburacada, as precipitações impedem que os reparos sejam executados. “Não dá para tapar o buraco com a chuva. Por isso, atrasou tudo”.
Agora, as precipitações deram uma folga e o cronograma do tapa-buracos começou a ser seguido. De acordo com o município, os reparos são divididos em três etapas: a primeira são as vias de grande fluxo, como avenidas; depois, vias de acesso aos bairros; por fim, pedidos esporádicos e bairros por inteiro.
Por último no cronograma oficial, os bairros realmente sofrem bastante. A reportagem percorreu locais como o Núcleo Nobuji Nagasawa, Bauru 2000, Beija-Flor, Mary Dota, Quinta da Bela Olinda e José Regino e encontrou grandes buracos nas ruas.
Mais gente
O atraso de um mês, contudo, poderia ser ainda pior. É que a Secretaria de Obras colocou mais equipes nas ruas – atrasando outras obras - para intensificar a operação tapa-buracos.
“Trabalhávamos normalmente com quatro equipes na operação. Agora, pegamos mais três que faziam o recape e deslocamos para o tapa-buracos. Então, estamos com sete equipes”, aponta o titular da pasta. Mais gente trabalhando e mais gasto de massa asfáltica. Em épocas comuns de estiagem, era usada diariamente uma quantidade de massa que poderia pavimentar duas quadras. “Agora, estamos usando volume de três quarteirões por dia”, finaliza Sidnei Rodrigues.
Para contornar problemas, obras estão atrasadas
Todos os dias, o funcionário público Edcarlos Roberto Bombini, 36 anos, precisa passar duas vezes por uma rua de terra que faz a ligação entre os bairros Bauru 2000 e Quinta da Bela Olinda. “Quando chove, fica um horror”, conta. A promessa é de que tal rua seria pavimentada este mês, porém o serviço nem começou. É um dos efeitos colaterais da intensificação da operação tapa-buracos.
A questão é lógica: ao colocar mais equipes para fazer os reparos dos buracos, foi preciso retirar de algum lugar. Este lugar foi a pavimentação. “Eu prometi que a pavimentação daquela via, ainda sem nome, seria em julho. Nem comecei ainda por ter que colocar as equipes no tapa-buracos”, confirma o titular de Obras, Sidnei Rodrigues.
O atraso causa transtorno a quem passa por ali. Porém, há algumas opções de trajetos. “Tem uma via de asfalto que dá para contornar. Porém, está cheia de buracos. Entre os males, o ‘menos pior’ é passar pela terra”, aponta Edcarlos Bombini, mostrando estar entre a cruz e a espada. Ou melhor, entre os buracos e a terra.
Outra obra com atraso é a limpeza da calha do Rio Bauru. Desta vez, o problema não foram os buracos, contudo, a situação também foi motivada pelas chuvas.
“Por conta das precipitações, tivemos que retificar as galerias do Pinheirinho, bairro que fica perto da Vila Dutra. Por isso, atrasamos a limpeza da calha do rio Bauru”, conta o secretário, complementando ainda não ter sequer previsão para começar o serviço.
50 reclamações por dia
A chuva é apontada como a principal responsável pelo atraso nos tapa-buracos em 2013. E, por conta da situação, o município tem convivido com outra “chuva”: a de reclamações. “Para ser sincero, chovem reclamações de pessoas reclamando de buracos em suas ruas”, conta o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues.
A estimativa do titular da pasta é impressionante. Segundo ele, chegam diariamente mais de 50 reclamações. “Esperamos que, até o fim deste mês, o volume diminua bastante”.
Os otimistas aconselham as pessoas a sempre olhar para o “copo meio cheio” da situação. Ao analisar a situação dos buracos em Bauru deste modo, pode-se dizer que eles funcionam como um redutor da velocidade dos carros. Outros que devem enxergar com bons olhos são os donos de oficinas mecânicas, uma vez que vários motoristas reclamam de danos em seus veículos por conta das erosões nas vias.
É o caso do coordenador de lojas Oliveira Vaz Filho, 33 anos. Ele mora há dois anos na quadra 4 da rua João Garcia Filho, na Quinta da Bela Olinda. “A parte debaixo do meu carro está toda danificada. Pneu, suspensão e o peito de aço. Não tem o que aguenta todos esses buracos”.
Erosão ainda maior há na quadra 2 da avenida José Vitório Dota, no Nobuji Nagasawa. “Já ligamos um monte de vezes na prefeitura e o buraco continua ali”, conta o auxiliar contábil Aparecido Ignácio, 38.
“Encostado” na calçada e ao lado de uma boca-de-lobo sem tampa, o buraco realmente preocupa. “Para ‘melhorar’ a situação, a iluminação está ruim. É um perigo”, complementa o morador.
A poucas quadras dali, uma grande cratera é sinalizada com um cavalete. No quarteirão 1 da rua Luiz Marcílio Berardo, os moradores contam que o objeto foi colocado após um carro cair no buraco.
“Era de noite e escutamos um barulhão. Frequentemente, estamos dormindo e escutamos barulho de carros caindo”, reclama o porteiro Wagner Monteiro Garcia, 31 anos.
Há duas semanas, os moradores afirmam que um carro caiu no buraco durante a noite. Segundo eles, foi bastante difícil remover o automóvel do local. “Ele precisou ‘dormir’ aqui na rua”, relembra.
Desviar
Quem acaba caindo neste buraco são, geralmente, pessoas que não conhecem o bairro. Os moradores já aprenderam o que fazer para driblar o problema. É o caso de Rosilene de Souza Silva, 31 anos. Ela precisa dar a volta no quarteirão para estacionar.
“Se eu descer a rua, não consigo fazer a curva aberta e entrar na garagem. Então, eu preciso dar a volta e vir por baixo. Só assim para guardar o carro em casa”, afirma a manicure.
Ela aponta para as várias marcas na via e relata que o problema não é de hoje. “Todas essas marcas que você está vendo são de buracos que foram tapados. A rua é toda remendada”, conclui.
Uma quadra: 30 buracos
O título acima parece surreal. Entretanto, é verdade. A confirmação é da própria Secretaria de Obras. Em alguns locais, há dezenas de buracos. De todos os tamanhos e formas.
“É difícil estimar quantos buracos existam em Bauru hoje. Mas, para se ter uma ideia, tem quadras que têm cerca de 30 buracos. Por isso, gastamos quase três quadras de massa asfáltica por dia”, argumenta Sidnei Rodrigues.
Foi-se uma calçada...
Uma grande cratera fez com que a calçada da quadra 2 da Pedro de Toledo literalmente desaparecesse. O lugar foi interditado pelo risco de causar algum acidente. De acordo com a Defesa Civil, foi realizado um serviço emergencial para tapar o buraco.
“Mas não é algo definitivo. Ali é um local preocupante porque os pedestres precisam passar pela rua. E o fluxo de carros é muito grande”, alerta o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito.
