Estamos presenciando um momento histórico em que o povo brasileiro está deixando de ter a fama de "povo apático" ou "pacífico" para mostrar que nós estamos, sim, ligados às questões políticas e administrativas, tanto no município, no Estado, quanto no País como um todo, no que tange a assuntos que fazem parte do cotidiano e "qualidade de vida" que, nos últimos anos, só tem piorado, pois têm aumentado as dificuldades para conseguir essa qualidade em todos os setores.
Neste clima, encontramos algumas iniciativas que mostram que algumas coisas estão mudando na educação. Citamos o projeto dos alunos de engenharia da Unesp em parceria com a rede estadual de ensino e a Escola Plínio Ferraz, para preservar o patrimônio escolar, e o trabalho desenvolvido na EE ProFº Jose Aparecido Guedes de Azevedo, com a montagem de um Documentário sobre a Escola. Por outro lado, vemos o problema da pichação que vem na contramão da preservação do patrimônio. Não se trata de um ato de expressão de arte, mas de agressão à propriedade pública e privada. Estas pichações mostram que partes destes grupos são reflexos dos problemas sociais e a solução pode estar ligada à qualidade da educação, acesso ao lazer, esporte, cultura e cidadania dos nossos jovens.
Temos que recordar que o patrimônio cultural brasileiro compreende os bens móveis (documentos textuais, gráficos, imagens) ou imóveis ( monumentos, esculturas, arquiteturas ou urbanizações com interesse histórico ou artístico e sítios arqueológicos), ambiental e cultural, que são produtos concretos do homem resultantes de sua capacidade de sobrevivência ao meio ambiente.
A Constituição brasileira, em seu capítulo VI, do Meio ambiente, artigo 225, estabelece que "todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (...) Isto é uma responsabilidade de todos os brasileiros e não só do poder público. Para que haja realmente um futuro tem que haver um presente com conscientização de que proteger o meio ambiente, em todas as suas dimensões, é fundamental para que tenhamos não só esperança mas a certeza de um Brasil melhor. O Brasil é um dos poucos países do mundo que tem um meio ambiente invejável, mas desrespeitado. Muitos países ricos, no passado, destruíram seu meio ambiente e hoje pagam um preço alto por isso.
Só a democracia possibilita a real participação do povo nas decisões de seus representantes eleitos pela maioria e permite o questionamento de políticas públicas que estão beneficiando somente alguns grupos e não o bem comum na qual o Estado deve ser mediador entre as necessidades do povo e saber como aplicar medidas adequadas para satisfazer a todos. O momento é essencial para avaliar se o caminho percorrido até agora chegará em algum lugar. Ou teremos de mudar o percurso para o bem de todos. Pelo Brasil, com justiça social e sem violência.
A autora, professora Marcia Regina Nava Sobreira, é colaboradora do Jornal da Cidade