Tribuna do Leitor

Telefone: a invenção que uniu o mundo


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Houve um tempo não muito distante que o ápice das comunicações era feito por um pequeno número de aparelhos telefônicos, com demora de mais de seis horas podia-se fazer ligações interurbanas, mesmo assim era a maneira mais rápida de se comunicar, já que pelo Correio costumava demorar mais de um mês. No princípio dos anos 70, com 16 anos, passei num concurso da Cia Telefônica Brasileira (CTB) sem ter sequer chegado perto de um aparelho de telefone. Naquele tempo apenas bancos, pequena parte do comércio, serviços públicos e poucas pessoas abastadas podiam pagar para ter a tão avançada tecnologia que era mantida por multinacionais.

Em 1972 foi criada a Telebras, estatal para monopolizar os serviços e com a expansão do DDD e DDI surgiu as subdivisões por área: Telesp, Telerj, Telemig, Telesc, Telepar, Telemar... Esse avanço dispensou os serviços da telefonista. Surge então os aparelhos KS (Key Sistem), PBX ( Private Branch Exchange) e PABX para Private Automatic Branch Exchange, para que as empresas pudessem centralizar, controlar e agilizar os serviços precisando ter suas próprias telefonistas. Foi uma intermediação de sucesso por mais de 40 anos. Com o boom tecnológico dos últimos 10 anos, o telefone passou a ser objeto pessoal e os serviços de telefonistas totalmente dispensáveis. Poucas empresas usam porque ainda não investiram no atendimento eletrônico. Hoje, com o mundo às mãos com apenas um toque na tela de aparelhos digitais, as pessoas que ainda dependem dos serviços de telefonistas querem que as mesmas sejam tão ou mais rápidas que a tecnologia, mesmo elas dependendo da agilidade de aparelhos arcaicos e fora do perfil da pressa que a vida moderna exige.

Há poucas décadas, era preciso esperar meses por uma resposta por carta e depois horas por uma ligação telefônica. Agora, os que ainda são obrigados a usar os serviços de telefonista; consumidores leigos da funcionalidade das empresas e sendo a função de telefonista discriminada, mal remunerada e desrespeitada desde seu surgimento até funcionários que se consideram muito melhores, que querem ser atendidos prontamente como se a telefonista tivesse apenas eles para atender, ignorando o desempenho dos aparelhos antigos, que operam e fazendo questão de formalizar reclamações junto aos superiores pela falta de atendimento imediato, porque cada um se acha o único e que o universo gira em torno de suas necessidades. Tanto os consumidores quanto alguns funcionários desprezam a função da telefonista, julgam até como uma pessoa alienada e funcionárias de categoria baixa porque são pessoas que ainda não aprenderam ver uma empresa como um todo, sempre acreditam que elas são insubstituíveis e fundamentais. Sem elas, a empresa não existiria, tal seu talento e importância.

Dia 29 de Junho foi o Dia da Telefonista. Nunca foi uma data divulgada ou lembrada, a não ser por poucas empresas que respeitam a importância que ela ainda desempenha. É uma profissão que está com os dias contados e, quando o atendimento eletrônico se generalizar, para quem ele não for a solução satisfatória, quem sabe algum saudosista vai recordar o tempo em que o atendimento era do "tipo humano" e vai até lembrar que existiam pessoas que estavam tanto ou mais interessadas em resolver seus problemas com a comunicação, porque usuário satisfeito não retorna com grosserias e reclamações. Para as que ainda desempenham o papel, por escolha ou falta de opção, o melhor é ter muita paciência e não curvar-se aos obstáculos do caminho e a melhor recompensa é a de ter a certeza do dever cumprido.

Dora Canaver

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