Política

Dia da Luta mobiliza trabalhadores

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

O Dia Nacional da Luta, em Bauru, dividiu a atenção e esforços dos participantes com a ocupação do prédio da prefeitura e reuniu trabalhadores engajados na data. Todos lutavam por uma pauta unificada, entretanto, após um boato exatamente sobre a ocupação, as centrais sindicais e movimentos sociais se dividiram e a manifestação terminou no começo da noite.

O ato teve início por volta das 15h, na praça Rui Barbosa. A pauta unificada envolvia diversos tópicos. Entre eles: fim do fator previdenciário; jornada de 40 horas semanais; reajuste digno para os aposentados; reforma agrária; fim da ampliação da terceirização; e mais investimentos em saúde, educação e segurança. A melhoria do transporte público e redução da tarifa também eram bandeiras da pauta única.

A carta de organização foi assinada pela CUT, CGTB, Força Sindical, CSP Conlutas e MST. No ato, porém, além desses, estavam também diversos outros órgãos, como Sintetel (trabalhadores em telecomunicações), Sindicato dos Correios, Sindnapi (aposentados e pensionistas), Sindicato dos Bancários, Apeoesp, Sindicato dos Ferroviários, Sindicato da Saúde, Sindicato dos Servidores da Unesp.

Estavam presentes ainda movimentos sociais rurais como a agricultura familiar e integrantes do acampamento Irmã Dorothy (Agudos). Fora eles, o protesto foi marcado por partidos como o PSTU e PT.

Na Praça Rui Barbosa, ocorreu a concentração. Com o auxílio de um carro de som, os representantes de cada sindicato expunham, além do conteúdo da pauta unificada, as reivindicações diversas de cada categoria.

Por volta das 17h, os manifestantes saíram da praça e marcharam pela Rodrigues Alves. O destino foi a Câmara Municipal. Pelo percurso, continuavam destacando as reivindicações dos trabalhadores.

Apesar de o ato ter sido pacífico, alguns comerciantes da avenida chegaram a fechar as portas de seus estabelecimentos enquanto os trabalhadores passavam. O fluxo de veículos foi desviado pela Polícia Militar (PM), que acompanhou o ato na íntegra.

Boato

Já em frente à Câmara, os trabalhadores começaram o que seria um ato político. Mesmo sem o expediente do Legislativo, eles protestavam no local e dificultavam o fluxo de veículos. Porém, a ação no local durou pouco. Um boato sobre os manifestantes que ocupavam a prefeitura dividiu o grupo.

A informação não verdadeira era de que os manifestantes que estavam no Paço Municipal haviam sido “trancados no prédio com a água e a energia cortada”. A ex-candidata a vice-prefeita Gisele Costa disse ter recebido esta informação e, no microfone, a divulgou e pediu solidariedade aos ocupantes.

Com isso, houve uma divisão no ato. PSTU, Conlutas e parte do MST se dirigiram à prefeitura. Já outros movimentos e sindicatos se recusaram a ir até a Praça das Cerejeiras.

“Nós havíamos discutido uma pauta, que era a passeata. A ocupação não foi negociada conosco. Não vamos fazer parte de algo que nós não negociamos. Não somos contra ao que eles fizeram, porém, não podemos ir lá e nos responsabilizar por algo que não negociamos”, disse o coordenador da CUT regional de Bauru, Francisco Wagner Monteiro.

Com a divisão, os que ficaram em frente ao Poder Legislativo foram dispensados e o ato terminou pouco depois das 18h. Antes, porém, prometeram novos protestos de centrais sindicais e movimentos sociais após diretrizes nacionais.


‘Leitinho mais caro’

No carrinho de bebê, Bianca Scarel carregava uma plaquinha: “Meu leitinho está muito caro”. Com apenas dois anos e meio, era certamente a manifestante mais nova presente. Ela foi levada pela avó Sônia Medeiros, 63, que é do grupo de oposição ao Sindicato dos Servidores Municipais.

“Eu a trouxe para que ela já viva este clima desde pequena. Quero que ela cresça no ambiente de lutas por melhorias. Espero que ela seja minha sucessora nas lutas”, completa a avó.

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