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Boato do Bolsa Família foi ?espontâneo?

Folhapress
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A Polícia Federal (PF) concluiu que não houve crime na onda de boatos que provocou pânico entre beneficiários do Bolsa Família em maio, contrariando a versão inicial do governo, que sugeriu a existência de uma ação orquestrada por trás dos rumores.

Após quase dois meses de investigação sobre a origem dos boatos, a PF concluiu que eles surgiram de forma “espontânea” e foram “fruto de um conjunto de fatores desassociados”, de acordo com o relatório final do inquérito.

O investigadores só apontaram dois fatores como explicação para os boatos: mudanças feitas pela Caixa Econômica Federal na escala de pagamentos do Bolsa Família e mudanças feitas pelas prefeituras nos cadastros dos beneficiários do programa.

A onda de boatos ocorrida em maio levou milhares de pessoas em todo o País a sacar o benefício ao mesmo tempo. Sem dinheiro para todo mundo, algumas agências da Caixa foram depredadas.

A Caixa antecipou o pagamento do benefício sem avisar ninguém, alterando o calendário habitual e liberando de uma vez só o dinheiro dos beneficiários. A cúpula da Caixa, que inicialmente omitiu a informação de que havia feito a mudança, só reconheceu publicamente que ela ocorrera após a revelação pela “Folha de S.Paulo”.

A PF concluiu que a antecipação do pagamento foi uma decisão da Caixa, que não avisou previamente os beneficiários. A Caixa informou ontem que não comentaria o desfecho do inquérito.

A polícia não identificou nenhum indício de crime nem a intenção de causar qualquer dano à União. Por isso, nenhuma pessoa foi indiciada ou responsabilizada. Segundo a PF, a investigação aponta que “o boato foi espontâneo” e não há como afirmar “que apenas uma pessoa ou grupo tenha causado” os tumultos de maio.

A polícia ouviu 181 beneficiários e 64 gerentes da Caixa em 11 Estados. Também analisou imagens das multidões que foram às agências sacar o dinheiro do Bolsa Família.

Três dias depois do início da corrida às agências da Caixa, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que “evidentemente houve uma ação de muita sintonia em muitos pontos do território nacional, o que pode ensejar a avaliação de que alguém quis fazer isso deliberadamente, planejadamente, articuladamente”. A presidente Dilma Rousseff afirmou que era “absurdamente desumano o autor desse boato. E é criminoso também”.

Já a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, escreveu em 20 de maio, no microblog Twitter, que a confusão era resultado “da central de boato da oposição”.

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