O ex-consultor de inteligência americano Edward Snowden, há mais de três semanas na área de trânsito do aeroporto Sheremetyevo, em Moscou, solicitou, nesta terça-feira (16), asilo político provisório à Rússia, afirmou o advogado russo Anatoli Kutcherena, que se reuniu com ele.
"O pedido foi enviado às autoridades russas", declarou o advogado, membro da câmara civil, órgão consultivo próximo ao Kremlin, depois de ter se reunido com o jovem delator, que revelou um megaesquema de espionagem mantido pelo governo americano.
Na últimas sexta, em reunião com representantes de ONGs de direitos humanos no aeroporto de Moscou, Snowden já dissera que havia pedido asilo político à Rússia.
Mais tarde, porém, o ministro das Relações Exteriores do país, Sergei Lavrov, negou ter recebido o pedido, dizendo que requerentes de asilo deveriam fazer esse tipo de apelo ao Serviço Federal de Migração russo. O órgão, na ocasião, também negou ter recebido qualquer pedido de Snowden.
"Encurralado"
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusou ontem os EUA de manterem Edward Snowden "encurralado" em território russo.
Snowden foi para Moscou após deixar Hong Kong, de onde vazou as informações confidenciais.
"Os EUA assustaram outros países, e ninguém quer acolhê-lo. Assim, no final das contas, eles mesmos o encurralaram em nosso território", afirmou Putin. "Eles nos deram esse presente de Natal."
Durante encontro com estudantes na região de Leningrado, o chefe do Kremlin disse que, "assim que surgir a chance de ir a algum lugar, [Snowden] o fará."
"Snowden chegou ao nosso território sem convite. Não veio conosco. Voava para outro país. Mas tão logo souberam que ele estava no ar, nossos parceiros americanos bloquearam suas futuras escalas", disse.
Putin lembrou a condição imposta ao fugitivo de suspender as atividades contra os interesses de Washington para que possa ficar na Rússia. "Temos uma relação com os EUA. Não queremos que ele a prejudique."