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A Saúde que anda

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A retaguarda hospitalar para o Sistema Único de Saúde (SUS) em Bauru ainda passa longe dos padrões ideais. Apesar disso, melhoras têm sido notadas, especialmente em relação ao Hospital de Base (HB). A unidade duplicou a oferta de leitos desde que passou a ser gerenciada pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), no início deste ano.


Até o final de 2012, a unidade operava com apenas 60 leitos, muito aquém do quadro anterior à crise da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que gerenciava o hospital e foi alvo da Operação Odontoma, em 2009. O Ministério Público Federal (MPF) investiga desvios de recursos e outros possíveis crimes na gestão, que passou para a responsabilidade de uma comissão interventora a partir de então.


Com repasses mensais de R$ 6 milhões e repasses extras de R$ 2 milhões em investimentos por parte da Secretaria do Estado de Saúde, a entidade de Botucatu recuperou parcialmente o número de leitos. Hoje, estão 120 em funcionamento. O plano, no entanto, é fazer com que a única porta de entrada para os casos de urgência e emergência em Bauru chegue aos 200 leitos.


A Famesp pontua que, além da absorção de aproximadamente 1.000 trabalhadores da AHB, foram contratados 27 enfermeiros e 25 técnicos de enfermagem. Além disso, equipamentos foram comprados e muitos outros que estavam parados, consertados.


Foram adquiridos 50 novos equipamentos, principalmente para o Centro Cirúrgico e para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).


No setor de tomografia, que há anos não recebia pacientes de outras cidades por falta de estrutura, agora, 900 pessoas são atendidas todos os meses.


A expectativa é de que o cenário melhore ainda mais, pois a Famesp espera receber, até o próximo mês, mais R$ 3,1 milhões em investimentos para concluir os reparos. A Secretaria de Saúde prometeu R$ 5 milhões até julho.


Escassez


O número reduzido de leitos hospitalares em Bauru gerou inquérito civil do MPF, além de ter culminado em mortes, como a da jovem Drielly Carla Alves de Brito, em julho do ano passado (leia mais na página 9). Outros óbitos de pacientes à espera de leitos, principalmente de UTI, foram registrados em 2013.


No mês passado, a Câmara Municipal aprovou lei que obriga a publicação no Diário Oficial de Bauru (DOB) dos pacientes que aguardam vagas em hospitais por mais de 48 horas nas unidades de saúde do município. O texto foi sancionado pelo prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e entrará em vigor a partir de 6 de agosto.

 

Longo prazo

Mais tempo ainda levará para que o Hospital de Base seja reformado como um todo. Junto com a obra na Maternidade, o governador Geraldo Alckmin prometeu R$ 30 milhões para a unidade, também durante a inauguração da avenida Nações Norte em Bauru. “A ampliação da UTI sai antes. No Base, tem muita coisa para se fazer, mas já há arquitetos trabalhando nisso”, garante Rugolo.

UTI é principal desafio

O JC vem mostrando o drama da população de Bauru e da região causada pela falta de leitos específicos de UTI na cidade.. A Famesp possui pronto o projeto arquitetônico para a ampliação dessas vagas no Hospital de Base (HB). O plano, porém, não sairá do papel até este ano, segundo o vice-presidente da entidade que gerencia a unidade, Antonio Rugolo.


Além de ainda não ter sido aprovado pela Secretaria de Saúde do Estado, o projeto depende das adequações nas partes hidráulica e elétrica. A ideia é que sejam criados mais 12 leitos de UTI. Atualmente, são 28.

O vereador Raul Gonçalves Paula (PV) afirmou, em sessão da Câmara Municipal, em junho passado, que para a população adulta apenas da cidade de Bauru, estimada em 300 mil pessoas, seriam necessários 75 leitos de UTI.

Atualmente, existem 47 distribuídos entre o Hospital de Base (HB) e o Hospital Estadual de Bauru (HEB). Eles, no entanto, recebem pacientes de uma região de 68 municípios que compõem o Departamento Regional de Saúde (DRS-6), da Secretaria de Estado da Saúde.

Portaria de 2012 do Ministério da Saúde diz que, em hospitais gerais, são necessários 2,5 leitos comuns para cada 1.000 habitantes, o que resulta no número de 750.

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