Política

Prefeito prevê um hospital municipal

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan

Sandro Bussola, Fabiano Mariano e Raul Gonçalves de Paula discutem alternativas para a Saúde no município

Em meio a uma das mais agudas crises da Saúde em Bauru, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) fala em prever no Plano Plurianual (2014-2017) do município a construção de um novo hospital na cidade. A declaração foi dada durante a inauguração da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Geisel/Redentor, no sábado, e repercutida pelos vereadores durante a sessão legislativa de ontem.

No evento do final de semana, o vereador Raul Gonçalves Paula (PV) explicitou o déficit de leitos e defendeu a criação de um Hospital Municipal em Bauru. Embalado pela proposta, Rodrigo citou a inclusão da proposta no texto que será votado pela Câmara Municipal até o final de 2013, que autoriza os investimentos da prefeitura ao longo dos próximos quatro anos.

A postura do prefeito foi ironizada pelo oposicionista Lima Júnior (PSDB). “O mesmo que questiona a criação de leitos no Pronto-Socorro Central (PSC) agora fala em hospital municipal. Ele se contradiz: o que fala não condiz com suas ações. É só publicidade porque falta coragem”, pontuou o tucano.

Ao JC, o prefeito confirma que a prefeitura não disporá de recursos para construir nem manter um hospital, mas pode gerenciá-lo caso haja repasse de verbas estaduais e federais. “Mas estamos dispostos a ajudar e caso essa ideia prospere, já vamos ter autorização do PPA para fazer esses investimentos. Precisamos unir as forças”.

Rodrigo diz que a construção de um novo hospital geral é essencial para Bauru, mesmo após a prometida reforma do Hospital de Base. “O déficit é gigantesco. Quando o Base for recuperado, teremos mais 40 leitos e isso não é suficiente. A gente tem que pensar em demanda regional, mas vai precisar unir forças com o Estado e a União. O que menos importa é saber se o hospital será ou não municipal. Colocar a previsão do PPA será um gesto da nossa parte”.

Apesar dos seis hospitais instalados em Bauru, Rodrigo questiona a abertura das unidades para os casos gerais. “O Centinho, Manoel de Abreu e Lauro Souza Lima são voltados a especialidades. Outro é a Maternidade Santa Isabel. Restam o Hospital Estadual já sobrecarregado e o Base, quebrado”.

PSC

A edição de ontem do Jornal da Cidade mostrou que Agostinho está pouco disposto a ampliar o número de leitos do Pronto-Socorro Central (PSC) como defende um grupo de vereadores. O prefeito alega que a unidade não é hospital, mas parlamentares clamam pelo mínimo de dignidade aos pacientes que, muitas vezes, esperam por dias a liberação de leitos hospitalares.

Uma audiência pública agendada para amanhã vai discutir o assunto, pois a Secretaria Municipal de Saúde tem projeto de reforma que não contempla a reivindicação. O presidente do Legislativo, Sandro Bussola (PT), se comprometeu a devolver R$ 1 milhão para a prefeitura, a fim de garantir a inclusão da proposta na obra futura.


Saúde privada

As críticas de vereadores também recaíram sobre o sistema privado. Roberval Sakai (PP) afirmou que vai ingressar com ação judicial contra a Unimed por negligência e omissão de socorro na ocasião da morte de sua filha, Priscilla Sakai Simião. “Vocês vão pagar, custe o que custar”.

Sandro Bussola (PT) também disse que muitos pacientes com plano de saúde estão procurando as UPAs municipais ao repudiar a postura de dois médicos – gestores da Unimed – que teriam chutado as portas de vidro da unidade do Geisel/Redentor, durante protestos contra o ministro Alexandre Padilha no último sábado. “Todo mundo pode se manifestar, mas não desse jeito”.

O vereador Roque Ferreira (PT) também condenou a atitude dos médicos a quem chamou de arrogantes, autoritários e violentos.


Carros abandonados

A Câmara Municipal aprovou ontem projeto de lei que combate a permanência de carros abandonados nas vias públicas. A autoria é do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Em abril, a estimativa era de que existissem 250 deles espalhados pela cidade. Após a sanção do texto, os automóveis não forem removidos pelos proprietários poderão ser levados a leilão e o “antigo dono” terá ainda que arcar com os custos do guincho e do pátio.

Os parlamentares também aprovaram, na sessão desta segunda-feira, o arquivamento do pedido de cassação do mandato do prefeito, de autoria do advogado Carlos Augusto Carvalho. A votação foi unânime.

Já por 10 votos a cinco, os vereadores consideraram ilegal projeto de autoria de Moisés Rossi (PPS), que obrigava a destinação de 50% dos imóveis de interesse social para programas de desvelamento. O parlamentar argumentou contrariamente ao parecer da Comissão de Justiça, mas foi derrotado pelo plenário.


Desativação do IPA

Foi lida na sessão legislativa de ontem Moção de Apelo ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) para que o CPP-3, ou antigo IPA, seja transformado em escola de policiais. Funcionários da unidade estiveram ontem para demonstrar aos vereadores a preocupação com a proposta.

O presidente do sindicato da categoria, Gilson Pimentel Barreto, explica que os trabalhadores não querem ser remanejados para unidades de outros lugares do Estado. O desejo é de que, caso seja confirmada a desativação do IPA, os servidores sejam alocados nos CCP-1 e CPP-2, em Bauru.

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