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Superlotação faz faltar medicamentos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

A superlotação de pacientes durante as últimas semanas nas unidades de urgência e emergência do município provocou outro efeito danoso além da longa fila de espera por internação. Devido ao elevado número de pacientes que permaneceram por dias aguardando transferência para hospitais, o volume de medicamentos utilizados ultrapassou a média esperada para o período e, agora, estão em falta.

Mesmo assim, de acordo com o Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, o atendimento à população não foi prejudicado. Isso porque, de acordo com o diretor do setor, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, compras de emergência foram providenciadas e, nos casos possíveis, outros medicamentos estão sendo utilizados em substituição aos que acabaram.

Conforme o JC divulgou, no dia mais crítico durante a greve dos funcionários da Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp), 63 pessoas aguardavam leitos hospitalares nas unidades de urgência e emergência do município, sendo 51 apenas no Pronto-Socorro Central (PSC). O gargalo foi provocado pela redução na oferta de vagas, já que hospitais como o Estadual e Base chegaram a operar com 30% do efetivo.

Compra emergencial

Com pacientes espalhados pelos corredores aguardando leito por até mais de uma semana, a Secretaria Municipal de Saúde teve de dar continuidade ao tratamento possível e, para tanto, dispor de um volume maior de medicamentos. Com isso, conforme o JC apurou, o estoque previsto para suprir a demanda dos próximos três meses já estaria sendo consumido.

“Muita coisa foi gasta além do que a gente imaginava, mas a qualidade do atendimento não foi afetada. Os pacientes continuam recebendo o devido tratamento”, garante Sabbag. Entre os remédios que se esgotaram, ele diz, estão antibióticos como a ceftriaxona, utilizada para tratamento, por exemplo, de pessoas com pneumonia.

“O estoque todo foi consumido, mas, neste caso, outros antibióticos podem ser utilizados como substitutos. Fizemos algumas compras em caráter emergencial para este e outros medicamentos mais importantes e estamos aguardando a entrega por parte do fornecedor”, frisa.


Município contesta

O diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, contestou as críticas feitas pela Secretaria de Estado da Saúde quanto ao atendimento prestado ao paciente José de Oliveira, 59 anos, que morreu na última terça-feira após esperar por 14 dias no Pronto-Socorro Central (PSC) por uma vaga de internação hospitalar. Sabbag informou que não houve equívoco no diagnóstico e que solicitou o leito aos hospitais de Base e Estadual reiteradamente desde o dia 29 de julho.

“Essa conversa de que há falha nas avaliações feitas pelo PSC é antiga, mas não temos com o que nos preocupar, porque temos tudo documentado. A assessoria de imprensa da secretaria, em São Paulo, não está em Bauru e fala o que quer”, lamenta.

A Secretaria de Estado da Saúde criticou o DUE por não ter feito o pedido, a tempo, diretamente à Central de Regulação de Serviços e Ofertas de Saúde (Cross) e afirmou que o paciente – que tinha problemas de circulação sanguínea no pé direito decorrentes de diabetes – precisava de leito em UTI coronária, mais fácil de ser disponibilizada, e não de vaga em UTI comum. Conforme o JC apurou, o município teria cogitado a possibilidade de acionar judicialmente o Estado pelas declarações, o que teria sido descartado para não prejudicar o bom relacionamento mantido atualmente junto ao Departamento Regional de Saúde 6 (DRS-6).

Quanto às críticas sobre a falta de investimentos da prefeitura em leitos de internação, Sabbag frisou que a administração aguarda decisão favorável da Justiça para que parte do Fundo Estadual de Saúde (FES) - destinado pelo governo federal apenas à Secretaria de Estado da Saúde – comece a ser repassado ao município.

Demora na Maternidade Santa Isabel

Uma gestante procurou o Jornal da Cidade para relatar que ela e outra mulher perderam seus bebês após demora no atendimento prestado pela Maternidade Santa Isabel. Nenhuma das duas quis se identificar.

No primeiro caso, a gestante teria procurado a unidade por volta das 22h de ontem com forte sangramento. Grávida de três meses, teria esperado por cerca de 40 minutos até ser atendida por um médico.

“Havia outra médica na recepção, mas, como era troca de turno e ela estava saindo, me olhou e não fez nada. Era como se eu não estivesse lá”, lamenta. Quase uma hora depois, a mulher foi atendida por outro médico, que detectou a morte do bebê. Ainda ontem, ela foi submetida à curetagem e deveria receber alta.

Em outra acusação grave, uma paciente teria ido à maternidade na terça-feira sentindo dores abdominais aos seis meses de gestação. Após avaliação médica, recebeu alta e voltou para casa. No dia seguinte, voltou à unidade com sangramento, descolamento de placenta e perda de líquido e esperou por cerca de uma hora para ser atendida.

A mulher, segundo informações prestadas pela primeira paciente, teria sido submetida à cesariana, mas, assim como ela, também perdeu o bebê. Segundo a assessoria de imprensa da Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp), que administra a maternidade, todos os protocolos clínicos foram rigorosamente observados e a paciente recebeu atendimento e orientação durante todas as vezes em que procurou a unidade.

Em relação ao primeiro caso, a Famesp esclarece que a gestante teria relatado que as dores teriam iniciado uma hora antes de ela procurar auxílio médico. Imediatamente, a mulher teria sido internada e medicada.


Data-base

Auxiliar de cozinha do Hospital Estadual há sete anos, Vera Lucia Alexandre não participou da greve dos trabalhadores da Fundação para o Desenvolvimento Médico Hospitalar (Famesp) porque diz que o movimento foi deflagrado para atender a interesses da diretoria do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde (Seessb) de Bauru.

Segundo a funcionária, a entidade sindical perdeu a data-base da categoria, que é abril, e, até julho, ainda não havia feito assembleia para votação da pauta de reivindicações nem iniciado as negociações para a renovação do acordo coletivo. “O único caminho encontrado, então, foi levar os trabalhadores à paralisação para buscar um acordo, já que isso retomaria a data-base perdida”.

A assessoria de imprensa do Seessb destaca que, em nenhum momento, a diretoria induziu os trabalhadores à paralisação ou à aceitação da oferta feita pela Famesp. A entidade informa ainda que não perdeu a data-base e que o movimento não atendeu a outros interesses que não ao da luta por melhores salários e condições de trabalho.

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