O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, e o diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE), Luiz Antônio Bertozo Sabbag, estiveram reunidos ontem à tarde, por mais de uma hora, com a família de André Luiz da Silva Rocha, 33 anos, paciente que sofria de problemas psiquiátricos e que morreu domingo passado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Ipiranga ao ser contido por um segurança.
O encontro foi promovido um dia depois de parentes e amigos do rapaz se reunirem em protesto em frente à unidade, quando informaram que pediriam a exumação do corpo de André. Para eles, a causa da morte também tem relação com a violência sofrida pelo paciente.
André foi ferido na região da cabeça, mas, segundo o laudo necroscópico, o mais provável é que a medicação Midazolam 15 miligramas, utilizada para sedá-lo, ao interagir com outros remédios utilizados pelo rapaz, tenha tirado a vida dele. “Eles estão indignados com o modo como o vigilante reagiu e não admitem a possibilidade de ele ter agredido a assistente social, embora existam testemunhas”, explica Sabbag.
Assim como Monti, ele se colocou à disposição da família e vai mantê-la informada de todas as apurações que serão feitas. “Foi terrível para todos uma perda dessa”, explica.
Inquérito
O caso também está sendo investigado pela Polícia Civil. De acordo com o delegado Paulo Calil, a família pode ter se impressionado com os ferimentos na cabeça de André porque durante o exame necroscópico o couro cabeludo dele foi repuxado para que o médico legista pudesse observar os ferimentos.
“Não houve lesão cerebral, nem ferimento na parte interna do crânio. O golpe de tonfa (desferido pelo vigia) não matou a vítima. Depois que ele foi golpeado, ainda se debateu por cinco minutos”, acrescenta Calil. O delegado ainda ressalta que o exame apontou como inchado o coração de André.
Exames das vísceras vão indicar se o paciente enfrentava algum outro problema de saúde que tenha provocado essa alteração ou se ela foi provocada pelos procedimentos de ressuscitação. Caso seja confirmada a primeira hipótese, o inquérito policial ainda verificará se, diante da debilidade do paciente, a medicação Midazolam 15 miligramas tenha provocado a morte. “O inquérito dirá se houve erro médico”, diz Calil.
Para ele, qualquer iniciativa como a intenção de exumação do corpo por parte da família é precipitada sem que haja em mãos o resultado final do exame necroscópico. Parentes, agora, não têm mais certeza se levarão a ideia adiante. Discutirão a possibilidade com o advogado, nesta semana.