Esportes

Sindicato denuncia clube por precariedade

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Em visita “surpresa” ao Alfredo de Castilho, ontem, o Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo (Sapesp) e a Federação Paulista de Futebol (FPF) prometeram levar adiante as queixas apontadas nos últimos dias em relação ao clube. Ainda ontem, o Sapesp protocolou no Ministério Público do Trabalho (MPT) uma denúncia contra o Esporte Clube Noroeste.

No documento, apresentado à imprensa pelo diretor de relacionamento do sindicato, Mauro Costa, consta que os jogadores estariam vivendo em condições precárias de higiene e moradia e com alimentação inadequada, além de estarem com os salários atrasados há pelo menos três meses e, alguns, sendo submetidos, inclusive, a situações constrangedoras por serem afastados de atividades realizadas pelo restante do grupo.

Conforme o sindicato, a situação acarretaria na violação de direitos previstos na Lei Pelé e Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

“Temos fotos comprovando a precariedade das moradias e relatos sobre a alimentação inadequada. Também recebemos denúncia, na semana passada, de que sete atletas foram afastados e obrigados a treinar em horários diferentes, o que, pela legislação, configura em constrangimento. Vamos levar tudo isso ao MPT ainda hoje (ontem) e, se for preciso, à Procuradoria Geral. O que não pode é o Noroeste, com essa grandeza, ficar da forma como está”, adianta Costa.

Além do sindicato, também esteve no estádio o representante da Federação Paulista de Futebol, Flaubert Dias, que enviou ontem um relatório à presidência da entidade.

“Após uma vistoria em toda a unidade, relatei o que encontramos no clube. O documento foi encaminhado para o Departamento de Competições, e cabe a este setor e à presidência da FPF analisar o que pode ser feito, se haverá ou não alguma sanção”, explica Dias.

A procedência das denúncias e falta de um acordo, conforme o JC apurou, pode culminar até mesmo com uma futura destituição da presidência do clube – o que pode ser adiantado pelo próprio presidente no final do mês. 


“Surpresa”

A visita “surpresa” aconteceu por volta das 9h30, mas nem o presidente ou o gestor Fabiano Larangeira foram encontrados para conversar com os representantes. Na ocasião, Cazão, Bonfim e Júnior Maranhão (que foram afastados do grupo e treinam à parte) foram questionados sobre a ausência no treino realizado naquela manhã e confirmaram o tratamento diferenciado em relação ao resto do plantel.

“Não podemos nem mesmo entrar no vestiário. Enquanto todos treinam às 9h30, nós treinamos às 14h. Isso tem sido constrangedor e afetado até a nossa amizade com o resto do pessoal”, comentam os jogadores ao representante do Sapesp.

Há três meses com o salário atrasado, Bonfim também reclamava dos prejuízos.

“Minha esposa e meus pais dependem do meu salário. Já cheguei até a emprestar dinheiro. As contas atrasadas estão virando uma bola de neve”, lamenta o jogador. “Depois da vitória em cima do Criciúma não recebi mais nada”, reforçou Cazão.


No limite

O atraso salarial não afeta somente os jogadores. Segundo o JC apurou no local, cozinheiros, nutricionista, funcionários da parte administrativa do clube e até mesmo o médico responsável pela equipe também estão sem receber. Alguns, há cinco meses.

No alojamento dos jogadores profissionais, colchões amontoados nas fotos enviadas ao sindicato dariam a impressão de lotação do local. Por falta de espaço, um jogador tem dormido no vestiário da arbitragem.

Na cozinha, o estoque dos sacos de arroz e de feijão garante a refeição básica na mesa até o próximo domingo. No entanto, a carne, doada ao time por um sócio na última semana, deve acabar na janta de hoje.

Ao todo, 110 pessoas entre funcionários e jogadores almoçam e jantam no clube, consumindo semanalmente 120 quilos de arroz e 65 quilos de feijão. Já a carne, possui consumo diário estimado em 20 quilos.

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