Considerada lixo, entulho, estorvo e desprezada como negócio por boa parte dos comerciantes brasileiros, a sucata, sobretudo de ferro e alumínio, é a “joia rara” nas exportações brasileiras em tempos de crise. Entretanto, os produtos do ramo, cujo comércio apresenta ascendência neste ano na balança de exportação, emperram em lixões urbanos na região em razão do alto custo do transporte.
A informação é do Grupo Máquina PR, ao analisar a ausência de filiados de Bauru e região entre os associados que estão navegando no mar de bons negócios externos no segmento neste ano. “Os produtos derivados da sucata, sobretudo da ferrosa, que é matéria-prima na fabricação do aço, estão em alta no mercado de exportação a partir do Brasil. Mas o custo do frete é muito elevado para estoques distantes dos portos. Por isso o Interior, como a região de Bauru, embora tenha oferta abundante dessa matéria-prima, não consegue atingir esse mercado de exportação”, aborda a assessoria de imprensa dos associados no Estado.
As exportações de sucata de ferro mostraram recuperação em julho deste ano, após caírem no primeiro semestre. No mês passado, as vendas externas totalizaram 22,5 mil toneladas, um crescimento de 74,4% em relação as 12,9 mil toneladas registradas em junho, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional das Empresas de Sucata Ferrosa (Inesfa).
O mercado ainda está em recuperação porque no mesmo período de 2012 as exportações no segmento foram de 35,2 mil toneladas, com receita de US$ 15 milhões/FOB, conforme a assessoria.
Isso indica, na visão da associação, que a sucata se destaca como commoditie no mercado externo. A “sucataria’ de exportação começou a ganhar espaço em 2008, principalmente nos países asiáticos. Neste ano, em função da crise internacional no mercado de commodities, as vendas externas iniciaram período de retração.
A assessoria revela que, não fosse o alto custo do transporte, o Interior teria todas as condições de ingressar com êxito neste nicho do comércio externo. Carcaças de bateria – produto em abundância na fabricação em Bauru, pilhas velhas, cilindros de gás e latarias e peças de carros, bem como restos de componentes em ferro de todos os níveis, sofrem desmonte, descontaminação, reciclagem, trituração (conforme o caso) e geram blocos de componentes vendidos lá fora.
A sucata ferrosa é um importante insumo utilizado no processo de fabricação do aço. Atualmente, a participação da sucata na produção de aço bruto no Brasil oscila entre 26% e 28%, ainda abaixo da média mundial que foi de 36,8% em 2012, segundo dados do Inesfa.
No exterior, a sucata é tratada como commodity com cotação internacional e tem valores de 30% a 40% mais altos que no Brasil. Apesar da diferença de preço, segundo o instituto, o Brasil exporta apenas 3,5% do volume da sucata consumida no mercado interno, que representa 0,2% das exportações mundiais do produto.
Os principais países exportadores de sucata são, na ordem, Estados Unidos (22,1%), Alemanha (8,9%), Holanda (5,2%), Reino Unido (7,0%) e Japão (4,9%). Juntos, os cinco países respondem por quase 50% das exportações mundiais de sucata.
Exportação de sucata ferrosa
EXPORTAÇÃO 2013 MÊS U$S PESO LÍQUIDO (KG) Janeiro 23.155.974 57.425.173 Fevereiro 20.551.914 42.930.337 Março 16.817.967 40.524.828 Abril 15.328.996 39.421.295 Maio 10.184.734 24.057.005 Junho 5.752.398 12.949.884 Julho 8.187.289 22.553.330 FONTE: Sistema Alice. MDIC.
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