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Entrevista da semana: Paulo Alves Rochel Filho

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 7 min

Arquivo Pessoal

Chefe da Assessoria Parlamentar do Ministério das Cidades, ele fala da carreira e da vida com a família em Bauru

Ele nasceu em Bauru quando as crianças ainda jogavam bola nas ruas dos bairros centrais e comiam frutas no pomar da vizinhança. Cursou direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE), passou em um concurso público, foi delegado de polícia por 16 anos e professor. Hoje, o advogado Paulo Alves Rochel Filho é chefe da Assessoria Parlamentar do Ministério das Cidades.

Com o trabalho, ele divide os seus dias entre a capital do Brasil e Bauru, onde constituiu uma família ao lado da esposa Enilda e teve os filhos Paulo e Lucas. “Foi aqui que construímos a nossa vida. Além disso, eu gosto muito da cidade e não tenho a intenção de sair”, diz.

Há cerca de dois anos, o entrevistado de hoje descobriu uma nova paixão. Para ele, mergulhar e se encantar com as belezas do fundo do mar é hobby. “Ainda vou mergulhar em Galápagos”, projeta, com bom humor. 

Você sabe o que faz um assessor parlamentar? Na entrevista que segue, Paulo fala sobre Brasília, além de suas principais passagens pessoais e profissionais.

 

Jornal da Cidade - O Ministério das Cidades foi criado em 2003. Como você chegou até lá?

Paulo Alves Rochel Filho - Antes disso, eu fui assessor e consultor do Ministério da Justiça na gestão dos ministros José Gregóri, Aloysio Nunes, Miguel Reale e Márcio Thomaz Bastos. Atuei na gerência da Rede de Integração Nacional de Informações de Segurança Pública, Justiça e Fiscalização (Rede Infoseg), do Ministério da Justiça em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU). Também fui assessor de gabinete do secretário de Segurança Pública e do secretário de Administração Penitenciária/SP, na criação do Departamento de Inteligência da Polícia Civil (Dipol) e do Departamento de Inteligência e Segurança Penitenciária. Na época, até recebi um convite para morar em Viena e tocar o projeto por lá. 

 

JC - Como é a sua rotina como chefe de assessoria parlamentar?

Paulo - A assessoria parlamentar é uma ponte entre o Executivo e o Legislativo. Tenho uma equipe de 14 assessores e monitoramos a proposta do parlamentar, as votações, os trâmites para as comissões, etc. Além disso, interagimos com o parlamentar, lideranças e partidos no sentido de aperfeiçoar a legislação para que ela contribua com aquilo que o governo está querendo realizar no ambiente executivo. Há o Denatran, por exemplo, onde nós acompanhamos tudo o que se deseja mudar no código de trânsito, como ocorreu recentemente com a Lei Seca. Nós até estimulamos e aceleramos o processo legislativo, na medida do possível, para que a presidente Dilma pudesse sancionar em dezembro, antes das festas.

 

JC - E como teve início a sua carreira profissional?

Paulo - Eu fiz faculdade de direito na Instituição Toledo de Ensino (ITE) e pós-graduação em direito previdenciário. Passei no primeiro concurso público que prestei e me tornei delegado de polícia. Trabalhei neste cargo de 1990 a 2006. Nesse período, atuei em Bauru, na região de Rio Claro e Brasília. Também fui professor da Academia de Polícia e de cursos preparatórios para concursos em São Paulo, além de ter sido professor convidado do Núcleo de Análise Interdisciplinar de Políticas Públicas e Estratégia da Universidade de São Paulo (Naippe/USP). Chegou um momento em que eu decidi sair da polícia para advogar. Tenho especialização em direito previdenciário, e me dediquei à área de tributos. Nessa época eu trabalhava em São Paulo, onde também conheci o ministro das Cidades. 

 

JC - O que difere o Ministério das Cidades de outras pastas?

Paulo - Ele atesta o desejo do governo federal por uma mudança de paradigmas no modelo e nas relações federativas. A sua criação foi um fato inovador nas políticas urbanas, na medida em que superou o recorte setorial da habitação, do saneamento, dos transportes (mobilidade) e trânsito para integrá-los levando em consideração peculiaridades locais e demandas específicas de cada município e região. Há muitos desafios a vencer, entre eles, instituir uma política de longo prazo, que tenha continuidade e que seja sustentável. Há quatro grandes secretarias nacionais: Saneamento, Programas Urbanos, Mobilidade e Habitação, responsáveis pelo programa Minha Casa Minha Vida, Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Companhia de Trens Urbanos (CBTU) e Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb). 

 

JC - O que pode ser feito por Bauru?

Paulo - Muitas coisas já estão sendo feitas. Foram aprovados, por exemplo, projetos que totalizam mais de R$ 170 milhões a serem aplicados em mobilidade urbana, pavimentação e saneamento em investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

JC - Quais foram as suas primeiras impressões sobre a Capital federal?

Paulo - Brasília desperta civilidade e patriotismo. Como dizem, é um museu a céu aberto. Estou em Brasília há pouco mais de um ano e esta é a segunda vez que trabalho lá. Quando era delegado, um parecer técnico que eu fiz chegou até a Secretaria Nacional de Segurança Pública e, na época, houve o lançamento do Plano Nacional de Segurança Pública e o Fundo Nacional de Segurança Pública, ou seja, o começo do investimento federal nessa área. Foi quando o então ministro Gregóri me convidou para trabalhar como assessor na Secretaria Nacional de Segurança Pública. Precisei voltar a Bauru por uma questão pessoal, mas depois continuei o trabalho como consultor em outras gestões até que recebi o convite do ministro Aguinaldo para o Ministério das Cidades.

 

JC - Você já pensou em sair dos bastidores para se candidatar a um cargo político? 

Paulo - Eu não me vejo na política como um protagonista.  Eu acredito que sou um bom instrumentador. A parte de assessoria me agrada muito, mas não tenho pretensão de disputar cargos eletivos. Uma coisa interessante sobre o meu trabalho é o contato com os parlamentares, isso me tirou daquele conceito geral que as pessoas têm de que o trabalho por lá é pouco. Tenho contato com muitos políticos de rotina e trabalho intensos.

 

JC - Então você se divide entre Brasília e Bauru?

Paulo - Sim. Nunca tirei minha família de Bauru. Eu viajo e eles ficam. Minha família é daqui e a da minha esposa, também. Foi em Bauru que construímos a nossa vida. Além disso, eu gosto muito da cidade e não tenho a intenção de sair e, como as minhas atividades são temporárias, eu posso ir e voltar.

 

JC - Quais são as suas melhores lembranças da cidade?

Paulo - Quando eu penso em infância, a rua Anhanguera e o bairro Higienópolis são protagonistas, pois foi onde eu cresci. Havia uma casa com pomar na vizinhança e a gente subia nas árvores para colher frutas. Eu brincava muito de bola na rua, na praça... Também havia algumas dificuldades. Por exemplo, eu queria fazer curso de inglês e precisei convencer um grupo de amigos para formar uma turma e levar a classe montada para uma escola. Não era como hoje, que você tem muitos problemas urbanos, mas também grande oferta de recursos.

 

JC - Por que o mergulho como hobby?

Paulo - Na verdade eu mergulho há pouco tempo, cerca de dois anos, e já fiz alguns mergulhos incríveis nos litorais do Rio e São Paulo. Para isso eu fiz vários cursos de habilitação. Mas eu me dei mal em minha última aventura. Tive um bloqueio reverso na subida, um problema na pressão do ouvido. Eu estava em Santos e não consegui fazer o passeio todo, até hoje tenho dor de cabeça por causa disso. Agora eu estou praticando pouco por causa do trabalho em Brasília, mas tenho muita vontade de mergulhar em Galápagos. Deve ser um espetáculo (risos). A leitura é outro hobby. Adoro ler.

 

Perfil

Nome: Paulo Alves Rochel Filho

Idade: 47

Cidade: Bauru

Esposa: Enilda

Filhos: Paulo e Lucas

Hobby: Mergulho e leitura

Livro de cabeceira: Bíblia (sempre) e atualmente “Amor Líquido”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman

Estilo musical predileto: Exceto rap e funk, gosto de tudo, principalmente de música gospel

Time: São Paulo

Para quem dá nota 10: Para o apóstolo Paulo

Para quem dá nota 0:  Aos corruptos

Email: paulo.rochel@cidades.gov.br

 

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