Tribuna do Leitor

Sinto vergonha de mim: uma profecia dita cem anos atrás, hoje é realidade


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Um País a deriva, no timão do barco os capitães se embriagam no vinho da corrupção e do crime. A tripulação é arregimentada a um suposto regime democrático, por uma liderança que se apresenta como cordeiro vestido de lobo, escondendo a ferocidade da ganância pelo poder. Despidos do respeito e da moral, desfilam nu na passarela da política sem preocupação alguma com o pudor. Os políticos deleitam nessa orgia vergonhosa arrastando consigo as instituições com deveres de garantir a liberdade democrática e a justiça para seu povo!

Mas atua na contramão do direito para atender à interesses políticos partidários. Asseguram privilégios aos que praticam ações ilícitas e criminosas. Sem punição exemplar, limitação da liberdade e sem repatriar os bens lesados do povo, estes indivíduos se colocam acima das Leis.

O povo está anestesiado com a pobreza da educação pública e, ainda, a família sem autoridade vê o Estado suprimir a educação doméstica do amor, base da formação do caráter da pessoa. Para isso, o Estado interventor edita leis com regras para educar e proteger o menor. Mas tem efeito contrário, permite a libertinagem sem controle e as crianças e adolescentes são desnutridos da seiva amor da família. Cria-se uma falsa proteção, mas que lançam às práticas de delitos e o Estado não são capazes de reintegrar o menor a vida social. Esse exemplo vem dos homens que representam hoje o País! Fazem da política o centro de corrupção e do crime, por isso o Estado apresenta a sua ineficiência em dominar o crime que hoje é preocupante. Sinto vergonha de mim!!! Dizer que sou brasileiro, quando me sinto incapaz de eliminar do poder os corruptores, a vergonha deste Brasil!

Um gigante adormecido pelas mentiras de homens que procuram esconder a realidade social e que tem como solução, vales para tudo, motivando o consumo para satisfazer o desejo das pessoas para o ter, mas não de oportunidades, mas para gerar dependência, com isso faz o povo esquecer de que não é necessário o ser, como pessoa e lutar por direito a dignidade à vida. Concluo com o poema de Rui Barbosa: "Sinto vergonha de mim, por ter sido educador de parte deste povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade, e por ver este povo já chamado varonil, enveredar pelo caminho da desonra."

"Sinto vergonha de mim, por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade, a negligência com a família, célula-mater da sociedade, a demasiada preocupação com o ?eu? feliz a qualquer custo, buscando a tal ?felicidade? em caminhos eivados de desrespeito para com o seu próximo."

"Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir, sem despejar meu verbo a tantas desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade, a tanta falta de humildade para reconhecer um erro cometido, a tantos ?floreios? para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição de sempre ?contestar? voltar atrás e mudar o futuro."

"Tenho vergonha de mim, pois faço parte de um povo que não reconheço enveredando por caminhos que não quero percorrer?" "Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho para onde ir, pois amo este meu chão, vibro ao ouvir o meu Hino e jamais usei a minha Bandeira para enxugar o meu suor, ou enrolar o meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade." "Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo deste mundo! "De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude. A rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto". A realidade do Brasil hoje! Mas digo: estes obstáculos não me impedem de ir em frente, por acreditar que a verdade me liberta para lutar contra o meu inimigo - a omissão.

José Carlos Bertolucci

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