O Tribunal de Murmansk, no noroeste da Rússia, decretou, neste domingo (29), a prisão preventiva da brasileira Ana Paula Alminhana Maciel, 31, e de outros sete ativistas do Greenpeace que estavam no barco Arctic Sunrise, interceptado pela Marinha russa no Ártico.
A brasileira estava em um grupo de 30 ativistas, 26 estrangeiros e quatro russos, que estavam no navio quebra-gelos e tentavam invadir um navio-plataforma da empresa russa Gazprom para protestar contra os projetos de extração de petróleo na região.
Eles foram indiciados pelo crime de pirataria e ficarão presos por pelo menos dois meses, mesmo tempo determinado para outros 22 ativistas que foram presos na quinta-feira. Caso sejam condenados, eles podem pegar até 15 anos de prisão.
Além de Maciel, também foi decretada a prisão do sueco-americano Dmitri Litvinov, dos holandeses Faiza Ouslahsen e Mannes Ubels, do britânico Frank Hewetson, da finlandesa Sini Saarela e de um ucraniano não identificado que trabalhava na cozinha da embarcação.
Durante a audiência, a ativista Sini Saarela disse que é uma pessoa honesta e se responsabiliza por suas ações, mas não se considera uma pirata. "Eu não sou uma pirata. Perfurar por óleo é uma enorme ameaça ao meio ambiente na Rússia e em toda a região ártica."
O diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, lamentou as prisões e pediu apoio para aumentar a pressão para que os ativistas sejam liberados e apelarão à Justiça russa contra as prisões de seus integrantes.
"As ações destes ativistas se justificam por causa fracasso de governos de todo o mundo em proteger seus povos das ameaças das mudanças climáticas. Não nos intimidaremos e apelaremos contra essas prisões".
Na semana passada, o Arctic Sunrise foi interceptado no Ártico pelas autoridades russas e rebocado para Murmansk. Os ativistas negam ter cometido atos de pirataria e acusam a Rússia de ter interceptado ilegalmente seu navio em águas internacionais.
Na quarta, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os ativistas não cometeram pirataria, versão essa que não foi considerada pela Justiça. Os investigadores justificaram a prisão preventiva alegando que os acusados poderiam fugir da Rússia.