Internacional

Premiê vai defender punições ao Irã em discurso na ONU

Por Diogo Bercito | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Há um ano, Binyamin Netanyahu, premiê de Israel, levava o desenho tosco de uma bomba pra ilustrar seu discurso na Assembleia-Geral da ONU. Ele falava contra o programa nuclear iraniano.

 

Quando voltar ao palanque das Nações Unidas, no discurso desta terça-feira (1º), o político terá de lidar com um novo cenário, marcado pela ofensiva diplomática de Hassan Rowhani, presidente do Irã. Netanyahu terá de convencer o mundo de que, apesar dos sorrisos iranianos, a ameaça à segurança global persiste.

 

Netanyahu voou aos EUA para encontrar-se hoje com Barack Obama, presidente dos EUA, e então discursar na ONU. Antes de embarcar, ele afirmou à rádio pública israelense que pretendia "dizer a verdade [...], que é essencial à paz mundial e à segurança de Israel".

 

Uma fonte oficial afirmou ao jornal israelense "Haaretz" que o premiê Netanyahu "vai estragar a festa e não tem problemas com isso".

 

O premiê terá, no entanto, de lidar com o fato de que, desde seu discurso com a ilustração da bomba, Teerã trocou de presidente e de atitude. Mais grave ainda, do ponto de vista diplomático israelense, tem sido a leniência dos EUA e da Europa quanto ao presidente do Irã.

 

Na sexta-feira, Obama e Rowhani conversaram por 15 minutos ao telefone. Foi a primeira ligação direta entre os dois países desde 1979. Além disso, o presidente iraniano discursou às Nações Unida negando a intenção de obter armas nucleares.

 

Para a diplomacia israelense, só haverá real mudança de abordagem quando as mudanças forem em atitudes, e não com palavras. Israel vê no Irã uma ameaça à sua própria existência, além de preocupar-se com o apoio iraniano a grupos extremistas como o grupo militante xiita libanês Hizbullah.

 

Discurso

 

O gabinete do primeiro-ministro israelense, procurado pela reportagem, não quis comentar o discurso de Netanyahu ou sua posição em relação à política iraniana.

 

É esperado, porém, que o premiê de Israel fale contra o fim das sanções ao Irã. Ele tem apoio doméstico para esse pedido -uma pesquisa publicada ontem mostrou que 78% dos israelenses não acreditam que Teerã quer resolver a crise nuclear.

 

O levantamento, feito por uma TV israelense, não incluía o número de entrevistados ou a margem de erro.

 

Como uma bênção de relações públicas, foi anunciada na anteontem a prisão de um empresário iraniano naturalizado belga, detido pela alegação de realizar atos de espionagem contra Israel.

 

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