A esperada reforma do sistema de cotas do FMI (Fundo Monetário Internacional), destinada a dar mais poder de voto aos países emergentes, ainda é uma questão "da mais alta prioridade", segundo o comunicado divulgado hoje pelo Comitê Internacional Financeiro e Monetário (IMFC, na sigla em inglês) do FMI para o encerramento de seu encontro anual, em Washington.
De acordo com o documento, a reforma, que foi decidida na cúpula do G20 de 2010 e deveria estar sendo implementada, diz respeito à "credibilidade e à legitimidade" da instituição. Apesar da retórica do comunicado, o processo ainda patina sem a aprovação do Congresso americano.
"Instamos os membros que ainda necessitam ratificar as reformas de 2010, que não se atrasem", diz o texto, que também cita que a instituição "ainda está comprometida a completar a revisão em janeiro de 2014".
Entre os que se beneficiariam das mudanças, os emergentes, o descontentamento com o atraso é latente.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, expressou a insatisfação na plenária da casa.
"Os Estados Unidos são agora o único país do G20 que não ratificou a reforma de 2010", disse em seu discurso, que também usou o termo "estado de completa paralisia" para definir o estágio atual do processo.
Segundo ele, "a credibilidade e a legitimidade" do Fundo sofrem erosão enquanto a reforma não caminha.
Como já fez em diversas outras ocasiões, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, repetiu durante a semana estar esperançosa de que todos os membros confirmarão as reformas, e frisou a importância da participação dos Estados Unidos, que têm maior parcela de votos no fundo.
Se a reforma fosse aprovada, a participação do Brasil subiria de 1,7% para 2,3%, passando do 18º lugar entre os cotistas para o 10º.