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Para especialistas, tolerância social à bebida é um erro

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 1 min

Por ser uma droga lícita, o álcool é uma substância bastante tolerada socialmente e está presente em todas as confraternizações, sempre associado aos momentos de prazer. Neste contexto, as crianças e adolescentes, com personalidade ainda em formação, se transformam em presas fáceis.

Para a psicóloga Vera Lúcia de Paula Rodrigues, diretora da Divisão de Saúde Mental (DSM) do município, o entendimento de que a embriaguez faz parte do processo de descoberta é um erro que precisa ser corrigido.

“A bebida é vista como diversão. Ás vezes, o pai oferece a ‘espuminha’ da cerveja para a criança e aceita, com naturalidade, que seu filho jovem beba em excesso repetidas vezes”, reclama.

As propagandas que associam a bebida com prazer, integração social e conquistas amorosas também ajudam a corroborar esta ideia, já que não esclarecem as graves consequências do uso abusivo da substância.

“Por conta da pressão da sociedade, conseguimos frear o estímulo às crianças. No passado, até desenhos de animação eram inseridos em anúncios de cerveja. Mas os jovens ainda são reféns”, pondera Vera.

Outra lacuna é provocada pelas políticas de prevenção e combate às drogas. Quando direcionadas aos adolescentes, o alerta para o risco de dependência está sempre voltado às outras substâncias entorpecentes que não o álcool, que geralmente funciona como porta de entrada para os demais vícios.

Segundo a psicóloga, as pesquisas apontam que apenas 2% dos dependentes de álcool conseguem se recuperar da dependência sem sofrer nenhuma recaída.

Além dos prejuízos a longo prazo que podem representar a destruição de toda uma vida, o álcool pode provocar distúrbios no sono, alteração na rotina alimentar, prejuízos no processo cognitivo com consequente redução do rendimento escolar, além de conflitos nas relações familiares.

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