Arquivo/Aceituno Jr. |
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Confusão ocorreu no início da madrugada de ontem no Pronto Atendimento Infantil |
Uma confusão no Pronto Atendimento Infantil (PAI) em Bauru quase terminou em tragédia. Descontrolado, um homem ameaçou funcionários e esfaqueou um vigilante que tentava contê-lo. O município afirma que o motivo do tumulto não teve qualquer relação com a demora no atendimento. A vítima não corre risco de morte e o homem que desferiu o golpe fugiu após a ação.
O crime ocorreu por volta da 1h30 da madrugada de ontem. De acordo com o boletim de ocorrência (BO), Rodrigo Francisco da Silva (a idade não foi divulgada) teria insistido para falar com sua ex-companheira, uma mulher de 45 anos que foi ao PAI procurar atendimento ao filho.
Entretanto, como a própria mulher não teria aceitado ver o ex-marido, começou a confusão. O registro aponta que ele teria batido contra o vidro da recepção e ameaçado duas atendentes. “Tenho uma bala para cada uma de vocês. Vou matar todo mundo aqui”, teria gritado Rodrigo, segundo o BO.
Além das ameaças às atendentes, o homem teria seguido uma médica que saiu da unidade para ir até seu carro. Lá, teria também ameaçado a profissional, fazendo com que ela deixasse o hospital apavorada.
“Como estava toda aquela confusão, eu fui lá para tentar acalmá-lo. Já estava ‘copiando’ ele e fui tentar resolver a situação”, conta o vigilante, de 36 anos, que pediu para ter a identidade preservada.
O vigilante, cujo posto é no Pronto-Socorro Central (PSC), pediu para que o autor parasse com aquele comportamento e se retirasse do local. “Foi quando ele tirou aquela faca de cerca de 20 centímetros e me golpeou”.
O vigia conseguiu dar um passo para trás e evitou um corte mais profundo. Entretanto, como ele estava bem perto da parede, a faca ainda o acertou na região das costelas.
Após ser atingido, o vigilante, que trabalha em posse de um cassetete conhecido como tonfa, conseguiu atingir a mão de Rodrigo da Silva com o equipamento. “Se não fosse esse equipamento, poderia ter ocorrido o pior”, conta o vigia.
Socorro
Nesse momento, o autor fugiu. Já a vítima foi para o PSC, onde recebeu os primeiros socorros. Por sorte, nenhum órgão foi atingido. Foi feito um curativo com cinco pontos e o vigilante foi liberado da unidade hospitalar no meio da tarde de ontem.
O caso foi registrado como tentativa de homicídio e ameaças. O delegado plantonista Roberto Cabral Medeiros solicitou a prisão temporária do homem por cerca de 30 dias. Até a noite de ontem, a polícia ainda não tinha a informação se a Justiça havia acatado a solicitação.
A ex-companheira do homem contou que ele já tinha passagens pela polícia. O delegado informou que, como há muitos homônimos de Rodrigo Francisco da Silva, não foi possível confirmar. A reportagem foi à casa da mulher ontem, porém, ela não estava e um amigo disse que não seria possível entrar em contato.
Vigias
A questão dos vigias nas unidades hospitalares de Bauru foi bastante polêmica em 2012. Desde julho, quando acabou o contrato com a antiga empresa, o PSC e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ficaram sem vigilantes. O serviço só foi retomado em janeiro de 2013, com um novo contrato e uma nova empresa.
Luiz Antônio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE), confirmou que o caso ocorrido ontem não teve qualquer relação com atendimento do PAI. Ainda segundo ele, todas as unidades hospitalares contam hoje com vigilância.
“A empresa mudou e todos os vigias trabalham com armas não-letais. São aqueles cassetetes”, conclui o diretor.
Não é a primeira vez
No dia 22 de julho do ano passado, um homem tentou esfaquear uma funcionária do PSC. Na ocasião, a unidade estava sem vigilância e a mulher precisou se esconder nos fundos da instituição para não ser atingida.
Dias antes, um cadeirante destruiu instalações da unidade hospitalar do Parque Santa Edwirges. No dia 4 de junho, um homem de 55 anos arremessou um capacete, danificando uma porta da UPA Bela Vista. Cinco dias depois, um homem de 28 anos atacou o PAI depois de esperar por quatro horas para que seu filho fosse atendido.
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Quioshi Goto |
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Vigilante, que teve alta na tarde de ontem, mostra o ferimento causado pelo golpe de faca |
‘Se eu não desse um passo para trás, não estaria aqui’
O vigilante atingido pelo homem parece não ter qualquer dúvida. O golpe seria mesmo para matá-lo. Ele, que é casado e pai de duas crianças, relata que foi o movimento de esquiva e o cassetete que o salvaram “do pior”.
JC - Como foi que tudo ocorreu?
Vigia - Passaram que estava ocorrendo uma confusão e eu fiquei “copiando” o homem. Fui lá e tentei falar para ele se afastar e manter a calma. Foi quando ele puxou a faca para mim.
JC - A faca utilizada era grande?
Vigia - Era sim. Tinha mais ou menos uns 20 centímetros.
JC - E o que você fez?
Vigia - Eu consegui pular para trás. Se eu não desse um passo para trás, não estaria aqui. Poderia ter perfurado meu pulmão ou outro órgão.
JC - E depois?
Vigia - Depois que ele me acertou, eu ainda consegui atingir o braço dele com uma tonfa. Foi isso também que me salvou. Eu saí meio cambaleando e fui para o PS. Já o homem saiu correndo.
JC - Estava sozinho trabalhando como vigilante quando tudo ocorreu?
Vigia - Não. Tinha mais dois vigias. Mas tinha um usuário de drogas que precisou ser contido e outras duas pessoas tentando invadir o PS. Então, acabou que eu fui lá ver o que estava ocorrendo.
JC - Há quanto tempo você é vigilante?
Vigia - Há cerca de três anos. Fiz o curso de formação. Lá, eles ensinam como lidar com situações assim.
JC - Para finalizar, o que você sentiu naquele momento?
Vigia - Eu sou casado e tenho dois filhos. Eles têm 11 e 14 anos de idade. Pensei que, por pouco, não poderia mais dar água para esses pardaizinhos aqui.

