Polícia

Homem esfaqueia vigia no PA Infantil

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Arquivo/Aceituno Jr.

Confusão ocorreu no início da madrugada de ontem no Pronto Atendimento Infantil

Uma confusão no Pronto Atendimento Infantil (PAI) em Bauru quase terminou em tragédia. Descontrolado, um homem ameaçou funcionários e esfaqueou um vigilante que tentava contê-lo. O município afirma que o motivo do tumulto não teve qualquer relação com a demora no atendimento. A vítima não corre risco de morte e o homem que desferiu o golpe fugiu após a ação.

O crime ocorreu por volta da 1h30 da madrugada de ontem. De acordo com o boletim de ocorrência (BO), Rodrigo Francisco da Silva (a idade não foi divulgada) teria insistido para falar com sua ex-companheira, uma mulher de 45 anos que foi ao PAI procurar atendimento ao filho.

Entretanto, como a própria mulher não teria aceitado ver o ex-marido, começou a confusão. O registro aponta que ele teria batido contra o vidro da recepção e ameaçado duas atendentes. “Tenho uma bala para cada uma de vocês. Vou matar todo mundo aqui”, teria gritado Rodrigo, segundo o BO.

Além das ameaças às atendentes, o homem teria seguido uma médica que saiu da unidade para ir até seu carro. Lá, teria também ameaçado a profissional, fazendo com que ela deixasse o hospital apavorada.

“Como estava toda aquela confusão, eu fui lá para tentar acalmá-lo. Já estava ‘copiando’ ele e fui tentar resolver a situação”, conta o vigilante, de 36 anos, que pediu para ter a identidade preservada.

O vigilante, cujo posto é no Pronto-Socorro Central (PSC), pediu para que o autor parasse com aquele comportamento e se retirasse do local. “Foi quando ele tirou aquela faca de cerca de 20 centímetros e me golpeou”.

O vigia conseguiu dar um passo para trás e evitou um corte mais profundo. Entretanto, como ele estava bem perto da parede, a faca ainda o acertou na região das costelas.

Após ser atingido, o vigilante, que trabalha em posse de um cassetete conhecido como tonfa, conseguiu atingir a mão de Rodrigo da Silva com o equipamento. “Se não fosse esse equipamento, poderia ter ocorrido o pior”, conta o vigia.

Socorro

Nesse momento, o autor fugiu. Já a vítima foi para o PSC, onde recebeu os primeiros socorros. Por sorte, nenhum órgão foi atingido. Foi feito um curativo com cinco pontos e o vigilante foi liberado da unidade hospitalar no meio da tarde de ontem.

O caso foi registrado como tentativa de homicídio e ameaças. O delegado plantonista Roberto Cabral Medeiros solicitou a prisão temporária do homem por cerca de 30 dias. Até a noite de ontem, a polícia ainda não tinha a informação se a Justiça havia acatado a solicitação.

A ex-companheira do homem contou que ele já tinha passagens pela polícia. O delegado informou que, como há muitos homônimos de Rodrigo Francisco da Silva, não foi possível confirmar. A reportagem foi à casa da mulher ontem, porém, ela não estava e um amigo disse que não seria possível entrar em contato.


Vigias


A questão dos vigias nas unidades hospitalares de Bauru foi bastante polêmica em 2012. Desde julho, quando acabou o contrato com a antiga empresa, o PSC e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ficaram sem vigilantes. O serviço só foi retomado em janeiro de 2013, com um novo contrato e uma nova empresa.


Luiz Antônio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE), confirmou que o caso ocorrido ontem não teve qualquer relação com atendimento do PAI. Ainda segundo ele, todas as unidades hospitalares contam hoje com vigilância.


“A empresa mudou e todos os vigias trabalham com armas não-letais. São aqueles cassetetes”, conclui o diretor.

 

Não é a primeira vez

No dia 22 de julho do ano passado, um homem tentou esfaquear uma funcionária do PSC. Na ocasião, a unidade estava sem vigilância e a mulher precisou se esconder nos fundos da instituição para não ser atingida. 

Dias antes, um cadeirante destruiu instalações da unidade hospitalar do Parque Santa Edwirges. No dia 4 de junho, um homem de 55 anos arremessou um capacete, danificando uma porta da UPA Bela Vista. Cinco dias depois, um homem de 28 anos atacou o PAI depois de esperar por quatro horas para que seu filho fosse atendido.


 

Quioshi Goto

Vigilante, que teve alta na tarde de ontem, mostra o ferimento causado pelo golpe de faca

‘Se eu não desse um passo para trás, não estaria aqui’

O vigilante atingido pelo homem parece não ter qualquer dúvida. O golpe seria mesmo para matá-lo. Ele, que é casado e pai de duas crianças, relata que foi o movimento de esquiva e o cassetete que o salvaram “do pior”.

JC - Como foi que tudo ocorreu?

Vigia - Passaram que estava ocorrendo uma confusão e eu fiquei “copiando” o homem. Fui lá e tentei falar para ele se afastar e manter a calma. Foi quando ele puxou a faca para mim.

JC - A faca utilizada era grande?

Vigia - Era sim. Tinha mais ou menos uns 20 centímetros.


JC - E o que você fez?

Vigia - Eu consegui pular para trás. Se eu não desse um passo para trás, não estaria aqui. Poderia ter perfurado meu pulmão ou outro órgão.


JC - E depois?

Vigia - Depois que ele me acertou, eu ainda consegui atingir o braço dele com uma tonfa. Foi isso também que me salvou. Eu saí meio cambaleando e fui para o PS. Já o homem saiu correndo.

JC - Estava sozinho trabalhando como vigilante quando tudo ocorreu?

Vigia - Não. Tinha mais dois vigias. Mas tinha um usuário de drogas que precisou ser contido e outras duas pessoas tentando invadir o PS. Então, acabou que eu fui lá ver o que estava ocorrendo.

 

JC - Há quanto tempo você é vigilante?

Vigia - Há cerca de três anos. Fiz o curso de formação. Lá, eles ensinam como lidar com situações assim.


JC - Para finalizar, o que você sentiu naquele momento?

Vigia - Eu sou casado e tenho dois filhos. Eles têm 11 e 14 anos de idade. Pensei que, por pouco, não poderia mais dar água para esses pardaizinhos aqui.

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