Fernando Frazão/ABr |
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Governo criou um "pronto-atendimento judicial" para punir atos de violência e depredação nas manifestações |
Manifestantes ligados à tática "black bloc" prestam, nesta quinta-feira (14), depoimentos na sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em São Paulo. Cerca de 70 pessoas serão ouvidas ao longo do dia. O teor dos interrogatórios está sendo mantido em sigilo.
A Polícia Civil não confirmou os depoimentos, no entanto, a reportagem apurou que o procedimento faz parte de uma investigação sigilosa sobre a atuação de grupos violentos em manifestações na cidade. Os manifestantes chegaram no prédio do Deic nesta quinta-feira pela manhã.
A polícia investiga, principalmente, se integrantes de organizações criminosas se infiltraram nas manifestações, fingindo ser adeptos da tática "black bloc".
Como a Folha de S.Paulo revelou em 30 de outubro, isso já ocorreu em uma manifestação na zona norte de São Paulo, quando caminhões foram incendiados, causando a interdição da rodovia Fernão Dias e saques na região.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirma, com frequência, que uma intensa investigação sobre manifestantes adeptos à tática dos "black bloc" está sendo conduzida pela polícia. O chefe do executivo estadual, no entanto, nunca deu informações mais detalhadas a respeito.
Há uma semana, uma reunião entre o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, e o chefe da pasta de Segurança do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, definiu a criação de um "pronto atendimento judicial" para punir atos de violência e depredação nas manifestações.
A proposta deverá ser apresentada oficialmente no próximo dia 25 pelo Conselho Nacional de Justiça.