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Moda Inclusiva

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos/Éder Azevedo

'Desfile de moda para vencer todos os preconceitos' - Drika Valério, estilista

Drika Valério, estilista é a animação em pessoa quando se trata de falar da moda que está fazendo o seu sucesso. Se ainda não tem os recursos financeiros sem dúvida tem o reconhecimento que vem de diversos prêmios ganhos. Mas talvez a maior recompensa seja o sorriso dos usuários das roupas adaptadas. São eles que encontram maior praticidade tanto para o dia a dia, quanto para usar vestimenta em ocasiões especiais, ou mais do que especiais, como um vestido de noiva para cadeirante.

Aos 27 anos Drika está se sentindo realizada. Mas quer mais, muito mais. E ideias não param de brotar na cabeça daquela que, quando criança, não se limitava a brincar de trocar de roupa de bonecas.

“Eu tenho duas tias costureiras, simplesmente não gostava das roupas das minhas Barbies, queria roupas diferentes, então eu catava todos os retalhos de panos das costuras das tias e desenhava roupas novas. Minhas bonecas vestiam os meus modelos, as minhas criações”, conta ela.

“Para todas as pessoas”

As peças que ela vai demonstrando, na verdade, além de ajudar na extinção do preconceito (por que um cadeirante, alguém que perdeu uma mão, uma criança com esclerose e dificuldade nos membros, ou mesmo uma mulher que passou por uma cirurgia de mama, não pode se vestir bem e de forma prática? Perguntava-se), também são projetadas para qualquer pessoa usar. “A verdadeira inclusão social é incluir pessoas e não desenvolver produtos exclusivos para pessoas com deficiência, pois assim o falso inclusivo, se torna exclusivo pois é só para essas pessoas”, sentencia.

Drika Valério, estilista mostra o uso do velcro

Assim ela criou uma microssaia que tem uma parte sobreposta, formando um bolso escondido à frente. Com isso jovens podem ir à balada e ter onde colocar chaves do carro, de casa, o celular, documentos sem usar bolsa. As mãos ficam livres e não há o risco de perder ou esquecer a bolsa, algo muito comum nas noites de badalação. Uma saia que, claro, vai ajudar na vida de uma cadeirante porque terá seus pertences bem à mão no colo. Mas como se vê, não é só para quem tem a deficiência física.

A certeza de que ela havia escolhido o curso certo e que tem a  Moda Inclusiva nas veias, veio quando desenvolveu o Trabalho de Conclusão de Curso, da faculdade IESB Preve (Design), de Bauru – SP, já com o intuito de inscrevê-lo no 4º Concurso de Moda Inclusiva, apoiado pela Vicunha Têxtil. Drika Valério queria fazer um vestido de noiva. Passou noites em claro pesquisando. Sua meta era tirar nota 10 na conclusão do curso. A nota 10 veio e também o primeiro prêmio do concurso. “Trabalhei com um tema ‘incomum’, que é o vestido de noiva inclusivo, que foi desenvolvido levando em conta as opiniões do público-alvo (pessoas com deficiência), mas não somente, pois o verdadeiro conceito do inclusivo é ‘incluir’ e isso, para todos os tipos de pessoas!”. Ela conseguiu, inclusive, apoio para confeccionar no comércio local através da Lauviah, uma loja especializada em moda noivas.

Opiniões contrárias

No decorrer do projeto, senti na pele o quanto algumas pessoas ainda são resistentes ao diferente, sendo preconceituosas, sem saber o dia de amanhã. Ouvi expressões como: “O teu projeto não tem nexo”, “Roupa de noiva pra deficiente? E deficientes por acaso, se casam?”. “Por aí vai, infelizmente, a ignorância humana”, lamenta a design.

E o projeto foi se moldando, tendo como base duas metodologias: O design universal, que consiste em projetar para todos, pensando em atingir o maior número de pessoas possível, aliado a tecnologia assistiva.

Tecnologia assistiva

O que á tecnologia assistiva? É quando se tem um produto e ele é adaptado para pessoas com deficiência, por exemplo, um traje que não pode ser manuseado por quem sofre de alguma deficiência que dificulta os movimentos, não tendo o movimento de ‘pega’ que nos faz conseguir segurar objetos, assim, “desenvolvendo um apoio que encaixe no objeto e na mão de quem irá manuseá-lo, pensando nisso, se todos os produtos fossem projetados com estas duas bases, pensando no universal, não haveria necessidade de adaptá-los”.

 

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