Instantes antes de garantir que dará prioridade absoluta para São Paulo, o senador mineiro e presidente nacional do PSDB, pré-candidato ao Palácio do Planalto, Aécio Neves informou ontem em Bauru que são os paulistas quem decidirão as eleições presidenciais de 2014. Com tom de candidato, mas reiterando sua presença apenas como liderança tucana em evento realizado na Instituição Toledo de Ensino (ITE), confirmou intensa agenda pelo Interior do Estado, o maior colégio eleitoral do País. Minas é o segundo.
Malavolta Jr. |
|
|
Com auditório lotado da Instituição Toledo de Ensino, Aécio Neves diz que o PSDB tem a responsabilidade de oferecer uma proposta alternativa ao PT |
Com a posição de que a legenda a qual representa não tem apenas a opção ou a possibilidade de lançar candidatura à Presidência da República, mas responsabilidade em oferecer ao Brasil uma proposta alternativa ao PT, ele foi recebido ontem no município por mais de mil pessoas de aproximadamente 120 cidades do Interior. Ao todo, 60 prefeitos da região estiveram presentes ao evento denominado como Conversa com os Brasileiros.
Na próxima semana, repetirá o encontro em Campinas e Sorocaba. Depois será a vez de São José dos Campos e Santos. “Não tenho dúvida de que São Paulo decidirá a eleição e não tenho qualquer constrangimento em dizer isso, pelo contrário. Darei não apenas agora, mas durante todo o processo eleitoral uma importância especial a São Paulo”, destacou.
Usando expressão típica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse “estar convencido” de que quem vencer em território paulista, levará as eleições. “E nós venceremos”, emendou. No Interior, ele conta com o prestígio do deputado estadual Pedro Tobias, talvez o primeiro a defender oficialmente e publicamente o nome do neto de Tancredo Neves a sucessão de Dilma Rousseff (PT), em detrimento do tucano José Serra – também interessado em disputar como presidenciável.
Incentivo
Aécio Neves ainda tem o apoio do prefeito de Botucatu, o tucano João Cury, que o acompanha pelos compromissos no Interior. Todos consideram fundamental a força do interior paulista para que haja mudança na condução do País. “O Brasil quer e merce muito mais do que está tendo. E o papel do PSDB é o de apresentar um novo projeto mais ousado no sentido das políticas públicas, mais eficiente na gestão do estado e mais ético, para permitir ao País que volte a crescer de forma sustentável”, afirmou.
Para tanto, explicou o senador mineiro, está percorrendo todo o território nacional para construir propostas que, ainda neste ano, serão apresentadas e discutidas. “Estou conhecendo um pouco mais a realidade de cada região, suas expectativas, angústias muitas vezes. O PSDB representará no momento certo a mudança segura que tantos brasileiros querem”.
Em vários momentos, Aécio Neves colocou que seu objetivo é retomar o crescimento econômico brasileiro em bases sólidas, restabelecer a credibilidade perdida e avançar nas políticas sociais. Depois de apontar o que considera como excelência na gestão de Geraldo Alckmin em São Paulo, afirmou durante a entrevista coletiva na ITE, que o PSDB é um partido organizado, estruturado e com ideias e propostas, capaz de provocar transformações a partir de forças locais.
Equação perigosa
Para o senador Aécio Neves - que veio a Bauru como presidente nacional do PSDB, mas deu o pontapé à corrida presidencial na região -, o Brasil enfrenta hoje uma equação que ele avalia como extremamente perigosa. O cálculo inclui inflação alta e crescimento baixo.
“Vamos crescer este ano apenas mais que a Venezuela, na América do Sul. Não é justo que um País com tantas potencialidades esteja entrando no final da fila no que diz respeito a investimentos, sobretudo internacionais”, afirmou.
De acordo com ele, no próximo governo tucano haverá tolerância zero com a inflação. “O PT flexibilizou a condução da política econômica, aqueles pilares herdados do PSDB. Temos uma inflação sempre no teto ou rondando o teto. O centro da meta é uma ficção”, destacou. Segundo Aécio Neves, a inflação de 6% existe porque um conjunto de preços está represado, como é o caso dos combustíveis, energia elétrica e transportes públicos.
“É uma panela de pressão. Quando essa tampa sair, e em determinado momento ela sairá, vai explodir. E a inflação de alimentos é a que mais pune o trabalhador, o assalariado. Ela já está em dois dígitos. A presidente da República diz que não tem inflação, mas ao mesmo tempo o Banco Central aumenta a taxa Selic aos dois dígitos”, criticou.
Em vários momentos, o senador mineiro afirmou preocupação em o PT colocar em risco as principais conquistas tucanas, como a estabilidade da moeda. Na opinião dele, além de apostar no crescimento do País com mais crédito, política que já se esgotou, o governo federal deveria ter feito investimentos simultâneos. O resultado, afirmou, são 63% das famílias brasileiras endividadas com o investimento privado distante.
Mensalão mineiro não é igual ao petista
O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, insistiu ontem em que o mensalão mineiro não tem “paralelo” com o mensalão petista. “Que seja julgado (o mineiro). No momento em que for julgado, vai ficar claro o que aconteceu. Se tiverem responsáveis que cometeram ilícitos, terão de ser responsabilizados. Não temos que temer nada, queremos que todas as denúncias sejam investigadas”, destacou.
Aécio garante que os tucanos jamais farão como os petistas. “Primeiro disseram que não houve mensalão, depois aceita-se. Houve a condenação e eles passam a ser presos políticos. Pela luta de tantos que estão aqui e reconquistaram a democracia, no Brasil não tem mais, felizmente, presos políticos, mas políticos presos”, afirmou.
Conforme o JC já divulgou, o Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para julgar o esquema do mensalão mineiro no primeiro semestre de 2014, ano de eleições presidenciais. O esquema é apontado pelo Ministério Público (MP) como embrião da Ação Penal 470, que resultou na prisão de líderes do PT em novembro, como José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.
Em relação a Minas, o inquérito da Polícia Federal aponta evidências de um esquema de arrecadação ilegal de recursos para a campanha do então governador mineiro. Eduardo Azeredo. Ele buscava a reeleição em 1998 e deverá deixar o partido.
“Software pirata”
“Demonizaram durante dez anos as concessões e as privatizações. Quase como um crime de lesa a pátria. Hoje o fazem de forma envergonhada”, afirmou ontem o senador Aécio Neves referindo-se ao PT. Para ele, a legenda de Dilma Rousseff só vai bem quando reza a cartilha tucana.
“A grande verdade é que tem um software pirata em execução no Brasil. Vamos trabalhar para ter o direito de colocar o original. O PSDB estará unido como nunca esteve, na hora certa”.
Solidário com os municípios
A concentração de receitas tributárias nas mãos da União é uma conduta criticada pelo pré-candidato à Presidência da República, Aécio Neves. Para ele, o contexto ilustra a pouca generosidade do PT com as cidades brasileiras. “Hoje, apenas 45% do financiamento global da saúde vêm da União. Há dez anos, quanto o PT assumiu o governo, eram 56%”, disse.
Segundo Aécio, 87% dos investimentos em segurança pública partem de estados e municípios, sendo que a União, que tem a responsabilidade pelo controle das fronteiras por onde passam drogas e armas, fica com o restante.
Ponto de partida
Se nas eleições de 2014 o vencedor for um tucano, Aécio Neves garantiu que o Bolsa Família será mantido, até porque tem DNA do PSDB. No entanto, informou o pré-candidato ao Palácio do Planalto, o objetivo é superar a pobreza.
“Para o PT, o Bolsa Família é ponto de chegada. Para o PSDB, de partida. Quero voltar aqui para informar que 5 milhões de pessoas deixaram o programa porque estão trabalhando, foram incluídas”, afirmou em discurso.
Para o senador mineiro, os petistas administram no improviso, tanto que o Brasil transformou-se em um canteiro de obras inacabadas.
Para Tobias, Aécio é o nome do PSDB
Deputado Pedro Tobias defende a oficialização ‘já’ do nome do senador como candidato a presidente da República
Anfitrião do senador mineiro Aécio Neves em Bauru, o deputado estadual Pedro Tobias defende a oficialização do nome do neto de Tancredo Neves como candidato à Presidência da República pelo PSDB para já.
Quando presidente estadual da legenda, o parlamentar bauruense bancou a vinda de Aécio Neves a evento do partido em São Paulo, contra a vontade de alguns caciques do partido, por meio da intercessão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos principais defensores do nome de Neves para a eleição contra a presidente Dilma Rousseff.
“Há dois anos lancei a candidatura dele e defenderei agora ainda mais. Chega de enrolação, blábláblá. A maioria do PSDB já decidiu, temos que escutar a base, o político tem que ouvir a voz das ruas”, disse ontem o deputado. Um pouco antes da abertura oficial do evento, na ITE, onde também foi realizada uma entrevista coletiva, ao responder uma questão de um jornalista sobre seu discurso eleitoral, Aécio Neves disse que falava como presidente do PSDB.
Na sequência, Pedro Tobias o colocou como candidato. Seu apoio foi reconhecido ontem, pelo próprio Aécio, que o chamou de irmão, amigo, companheiro “valente” e sempre presidente do PSDB. “Talvez ele (Pedro) seja aquele que, desde o início, mais estimulou a caminhada. Ele pensa, respira, trabalha pensando na região, em Bauru e no Brasil. O PSDB está pronto para qualquer debate”, afirmou.
Incentivo
Em seu discurso, o senador mineiro disse que nos momentos de dificuldade se lembrará do encontro na cidade e do apoio de Pedro Tobias, a quem se referiu também como “seu mais novo amigo de infância”. Em duas oportunidades comentou que a vida de político tem essa prerrogativa: a de conhecer pessoas das mais diferentes posições sociais, com carreiras profissionais distintas por exemplo mas que, de repente, apresentam uma afinidade tão grande com elas, como se já se conhecessem por longa data. Pedro seria uma delas para ele.
Já o deputado, em seu discurso, chegou a apontar José Serra, tucano que também pode concorrer pela legenda como presidenciável, como a pessoa mais preparada para o desafio. Mas garante que agora é a vez de Aécio Neves concorrer à Presidência da República. Para tanto, publicamente, defende a candidatura na rua agora.
Senador foi ao Calçadão da Batista
Após ser disputado por parte dos mais de mil militantes que estiveram na ITE, ontem pela manhã, o pré-candidato à Presidência da República seguiu, na companhia do deputado Pedro Tobias, para o Calçadão da rua Batista de Carvalho, em Bauru. Apreciou um pão de queijo local, no Café Zinho, ponto conhecido por políticos da cidade, do empresário Raduam Trabulssi.
|
Malavolta Jr. |
|
Café com Política do JC - Deputado Pedro Tobias, diretor do Grupo Cidade e presidente da Associação Paulista de Jornais (APJ), Renato Delicato Zaiden e o senador Aécio Neves |
Depois, seguiu para São Paulo do avião que decolou do aeroporto internacional, onde chegara horas mais cedo. Muita gente, porém, o aguardou desde logo cedo no Aeroclube de Bauru, mas como o avião não aterrissou por lá, não teve tempo hábil de recepcioná-lo. Uma comitiva de aproximadamente 20 pessoas o recebeu no Moussa Tobias e seguiu com Aécio Neves até o espaço Café com Política do Jornal da Cidade, onde iniciou sua agenda na cidade.
Recebido pelo diretor do Grupo Cidade e presidente da Associação Paulista de Jornais (APJ), Renato Delicato Zaiden, Aécio também encontrou parlamentares da legenda. Na oportunidade, agradeceu o carinho e ressaltou que sem informação, não se faz democracia.
Zaiden agradeceu a presença do senador e ressaltou que há um desgaste da classe política, mas afirmou que acredita na democracia e na via política para a gestão pública em prol do interesse coletivo, do exercício da cidadania plena. “Aqui no jornal temos esse espaço justamente por entendermos a importância da representatividade pelo voto e trabalhamos a editoria do setor de política como a de maior importância, vamos inclusive a escolas com projetos complementares de jornal na educação e atendemos dessa forma mais de 150 mil estudantes, que se familiarizam com essa pautas e começam a entender melhor esse universo, passam a acompanhar e observar com mais atenção os homens públicos e suas posturas. Essa é a informação que gera a transformação ”, disse Zaiden que completou: “Em nossa região somos algo em torno de dois milhões de habitantes, uma população expressiva, que deve ser muito bem informada e essa é a nossa missão. Portanto também somos uma tribuna para a expressão dos homens públicos, seja nas edições de papel, seja nas versões web, hoje com milhões de acessos”.
Em busca de mudanças no cenário político nacional, Aécio seguiu para a ITE, onde levou cerca de dez minutos para percorrer nem 200 metros. Atencioso com todos os militantes e simpatizantes, não recursou fotos, abraços e apertos de mão.
José Aníbal faz o discurso mais contundente
Apesar de todas as críticas contra o PT desferidas pelo presidente do PSDB, Aécio Neves, no evento de ontem em Bauru, o discurso do secretário estadual de Energia de São Paulo e deputado federal licenciado, José Aníbal, foi o mais contundente do dia.
Na opinião dele, as denúncias sobre esquema de pagamento de propina na compra de equipamentos para o metrô paulista durante os governos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra foram a maneira que os petistas encontraram para intimidar os tucanos. Contra a fórmula que, segundo a cúpula do PSDB teria sido usada pelo PT em outras eleições – como no Caso dos Aloprados e Dossiê Cayman, por exemplo – o ataque. “A gente tem que se defender atacando. Já estou fazendo isso. Eu e os outros companheiros. O que estão fazendo é uma sórdida manipulação política, tentando jogar lama nos adversários, enquanto a direção do PT está na cadeia. Fizeram as denúncias cinco dias depois (das prisões de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares), usando um documento falso, que já não contestam mais”, afirmou em seu discurso.
Para José Aníbal, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se rebaixou ao encaminhar um documento falso, que não se sabe de onde veio e com versão em português diferente da americana, à Polícia Federal. “Não temos que abaixar a cabeça. Bateu em um, bateu em todos”. Ele finalizou seu discurso com o lema, seguido pela plateia ‘Brasil carente, Aécio Presidente’.
Apropriação
Antes da abertura oficial da evento Conversa com Brasileiros, durante entrevista coletiva, o senador mineiro já tinha considerado como grave ‘figuras expressivas do PT se apropriarem do Estado à serviço de um projeto de poder’. Fez a afirmação, no entanto, sem citar o ministro da Justiça.
Aloysio Nunes receberá ministro da Justiça
Líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), aguarda para a próxima terça-feira o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que foi convidado a dar explicações sobre o documento encaminhado à Polícia Federal que aponta suposto esquema de propina na compra de equipamentos para o metrô de São Paulo.
O convite foi protocolado na última quarta-feira, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). “Ele virá às 11h, quando eu terei a oportunidade de questioná-lo e ele terá oportunidade de responder para que a gente possa dissipar esse ambiente de intriga política que existe sobre essa investigação. Para que os órgãos encarregados pela investigação possam ir fundo, apurar toda a verdade”, disse ontem. De acordo com ele, como em todas as eleições o PT “fabrica” dossiês, não descarta outras denúncias até 2014. “Nós somos os principais interessados em uma apuração rigorosa e isenta”, garantiu. Embora seja ligado a José Serra, ele admite que o nome de Aécio Neves como candidato à Presidência é muito forte, mas que a definição virá só no ano que vem.
“Estamos fazendo algo que não é uma candidatura presidencial. É uma caminhada que cada um percorre seu caminho para nos encontrarmos logo mais à frente”, afirmou. Aloysio ainda aproveitou para listar a importância de Serra para a região, como na conquista da avenida Nações Norte e para a duplicação da Bauru-Marília.
Olho no olho
O prefeito de Botucatu, João Cury, tem conduzido o senador Aécio Neves pelo Interior de São Paulo. Ontem, inclusive, chegou em Bauru no mesmo avião particular que trouxe o mineiro da Capital. Para ele, a união entre São Paulo e Minas será decisiva no próximo ano para as eleições à Presidência da República. “E o Estado de São Paulo, principalmente o Interior, não vai se furtar a se posicionar. Seremos decisivos”, destacou.
Ele também foi considerado por Aécio como irmão, com visão estratégica do Estado e visão de gestão pública de qualidade. “Por isso nós temos uma grande identidade. Tenho certeza que João Cury estará na nossa campanha em posição de destaque e também em nosso governo”, conclui.
Veja vídeo da visita de Aécio no JC

