Os serviços de inteligência da Suécia compartilharam dados sobre a Rússia com a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), segundo documentos divulgados nesta quinta-feria (5) pela televisão estatal do país nórdico.
Os formulários fazem parte do pacote de documentos obtidos pelo ex-prestador de serviços da agência, Edward Snowden, responsável por revelar o esquema de espionagem de dados eletrônicos e telefônicos feito por Washington.
O documento, de 18 de abril deste ano, menciona a participação da Suécia entre os fornecedores de dados sobre a Rússia, sendo que um dos documentos foram qualificados de "uma coleção única".
A NSA também agradeceu aos espiões suecos pela colaboração nas informações sobre Moscou.
O canal sueco disse ter obtido os documentos por meio de Glenn Greenwald, jornalista americano que mora no Rio e é um o principal divulgador dos documentos de Snowden.
O Instituto de Defesa Nacional do Rádio, que faz esse tipo de espionagem na Suécia, não quis comentar a cooperação com os Estados Unidos.
A ministra de Defesa do país, Karn Enström, defendeu a ação de espionagem e afirmou que a cooperação com os Estados Unidos sobre a Rússia é antiga.
"Nós realizamos unicamente trabalhos para defender a Suécia de uma ameaça externa, dentro da lei. Mas a informação de quem colabora não é aberta ao público."
Snowden
Snowden, 30, trabalhava para a NSA até maio como funcionário terceirizado da empresa Booz Allen Hamilton.
Ele revelou detalhes sobre programas de espionagem à mídia britânica e norte-americana, que iniciaram a publicar os dados no início de junho.
Após deixar a empresa e entregar as informações aos jornalistas, ele viajou a Hong Kong, onde ficou até 23 de junho, quando os Estados Unidos pediram sua extradição para que ele fosse julgado por roubo de informações confidenciais e espionagem.
Após ficar mais de um mês morando na zona de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo, perto de Moscou, ele recebeu asilo temporário da Rússia em agosto e agora mora nos arredores da cidade.
Enquanto isso, diversas denúncias de espionagem foram feitas, prejudicando o governo americano e o presidente Barack Obama.
Dentre elas, a do monitoramento de ligações da presidente Dilma Rousseff e da Petrobras, o que provocou a irritação da mandatária e o cancelamento de uma visita de Estado a Washington.
Em setembro, Dilma sugeriu na Assembleia-Geral da ONU uma nova governança sobre espionagem.