Fotos/João Rosan |
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Família afirma que jovem apanhou da PM, que nega abuso em abordagem |
Familiares de um jovem de 21 anos estão revoltados. Eles alegam que o auxiliar de serviços gerais Rodrigo Moreno Ferreira dos Santos foi covardemente agredido por policiais militares até desmaiar. A corporação, contudo, nega o fato e afirma que o garoto estava pichando muros, machucou-se ao tentar fugir da abordagem e resistiu à prisão.
O caso foi registrado por volta das 0h50 da madrugada de ontem no Jardim Higienópolis. O local e o horário são os únicos pontos que convergem entre as histórias. Daí para frente, as versões ficam bastante distintas.
“Meu irmão conta que estava na praça com dois amigos e a viatura chegou. Um deles correu e fugiu. Mas meu irmão, como não devia nada, ficou sentado no banco”, aponta Fernanda Moreno, 24 anos. A família mora no Parque Sergipe.
A polícia, porém, afirma que, em patrulhamento pela rua Coronel José Figueiredo com a Voluntários da Pátria, avistou Rodrigo com seu amigo, de 18 anos, pichando a fachada de uma residência. Ao ver os policiais, ambos, segundo a PM, tentaram fugir.
Teria sido nessa tentativa de fuga, na versão dos policiais, que Rodrigo caiu da fachada. “Devido à altura da fachada, Rodrigo bateu o rosto no solo e veio a se lesionar, e ainda resistiu à prisão. Os policiais militares precisaram usar de força não letal para poder abordá-lo”, disse a PM, em nota emitida pelo comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Walter de Oliveira.
A família contesta. “Esse amigo que fugiu mandou mensagem para mim e eu fui correndo com minha mãe até a praça. Cheguei e vi o outro amigo dele já dentro da viatura. Tinha umas seis viaturas e uns 12 policiais lá”, conta a irmã de Rodrigo.
A mãe do garoto, Rosana Morenos dos Santos, 50, afirma que perguntou pelo filho várias vezes aos policiais e não foi informada. Segundo a família, em determinado momento, um grupo de policiais que estava ao redor de uma moita levantou o jovem de lá e o colocou em uma viatura.
De lá, todos foram para a Central de Polícia Judiciária (CPJ). “Como Rodrigo se lesionou, foi conduzido ao Pronto-Socorro Central pela própria viatura da PM, porém, o preso recusou-se a ser atendido e, por isso, assinou termo de responsabilidade e foi liberado pelo médico que o atenderia”, afirma a polícia, em nota.
Lesões
A família confirma que o jovem dispensou o atendimento médico. “Ele não queria mais ficar perto daqueles policiais. Eles o ameaçavam toda hora. Eles diziam que, se ele dissesse alguma coisa para alguém ou para o delegado, iam matar ele. Iam caçar ele até a morte”, alega Rosana dos Santos.
Pelo corpo, ficaram as marcas que podem provar qual versão é verdadeira. Rodrigo está com o olho esquerdo bastante inchado e tem hematomas pelas costas. Os familiares afirmam ainda que ele possui várias marcas de pancadas pelas partes íntimas.
Tanto Rodrigo quanto o outro jovem que foram encaminhados à Polícia Civil foram liberados em seguida. O caso gerou dois boletins de ocorrência, aos quais o JC teve acesso.
O primeiro, registrado pelos policiais, foi contra os dois jovens por pichar e grafitar edificação ou monumento urbano. Também foi registrada apreensão de dois frascos de tinta que teriam sido usados na pichação.
Já o segundo registro, feito na tarde de ontem pelos familiares do garoto, foi por abuso de autoridade contra os policiais envolvidos.
“O Rodrigo vai passar por exame de corpo de delito amanhã (hoje) no IML (Instituto Médico Legal). O amigo dele também foi agredido, mas não quer se expor. Nós queremos justiça. Eu estou morta por dentro ao ver o que fizeram com meu filho”, diz Rosana dos Santos.
Apuração
Além do inquérito instaurado na Polícia Civil para apurar o que realmente ocorreu, a PM afirma que também já iniciou seu processo de averiguação.
“A queixa de agressão por parte dos policiais que participaram da ocorrência está sendo apurada por procedimento próprio”, promete a corporação, em nota.
No mesmo comunicado, a PM afirma que Rodrigo Moreno Ferreira dos Santos já tem passagem pela polícia, contudo, não aponta por qual crime. A família nega veementemente que isso seja verdade. “Ele não tem nada”, aponta a mãe Rosana dos Santos.
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Além do olho roxo, Rodrigo Moreno ficou com outros |
hematomas nas costas e no pescoço |


