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Edifícios para uma vida melhor

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 3 min

Há milhares de anos, observando os potes de barro utilizados para armazenar água, os persas descobriram que borrifar água no ar quente fazia com que a água evaporasse, absorvendo calor e refrescando o ar. Hoje, essa tecnologia milenar é ainda pouco conhecida, mas pode ser encontrada nos condicionadores evaporativos que funcionam bem nos períodos quentes e secos do ano. No início do século XX, quase todos os brasileiros trabalhavam ao ar livre, principalmente na agricultura. Hoje, o brasileiro médio em uma grande cidade, fica dentro de um edifício 87% do tempo.

Muitos edifícios ? por mais elegantes que possam parecer ? ainda desperdiçam energia e dinheiro; deformam nossa vida, nos modelam, nos entristecem. Por outro lado, viver e trabalhar em edifícios eficientes, segundo um estudo recente, nos deixam mais confortáveis e produtivos ? talvez até mais sociáveis, saudáveis e felizes. E isso sequer leva em conta outros valores mais amplos, como segurança e meio ambiente.

O uso da energia num edifício depende do casco ou de sua envoltória, daquilo que existe dentro do casco e do modo como as coisas dentro do casco são usadas. A maioria das pessoas prioriza as coisas que estarão dentro do casco sem perceber que o casco em si afeta bastante o tipo e a quantidade de equipamentos necessários para a iluminação e o condicionamento do ar. Se o casco não tiver um isolamento térmico ou se ele for inadequado será muito caro resfria-lo. Além disso, fazer um edifício com a forma certa e direcionado no rumo certo, reduz bastante suas necessidades energéticas.

O modo como usamos as coisas dentro de nossos edifícios é tão importante quanto a maneira como são projetados e o que colocamos neles. As lâmpadas, os computadores e os equipamentos de ar condicionado mais eficientes são aqueles que desligamos quando não são necessários. Essa postura sensata, no entanto, é ainda surpreendentemente rara.

Além disso, estamos exigindo mais itens de conforto e enfiando mais coisas em nossas lares: secadoras e fornos, TVs de tela plana e carregadores de celulares, geladeiras e freezers. Mesmo quando não estão sendo usados, os relógios, controles e outras cargas em espera podem ser responsáveis por 10% do uso da eletricidade residencial. Provavelmente, seu forno de micro-ondas gasta mais eletricidade para operar o relógio iluminado do que para cozinhar.

O aumento contínuo no uso da energia é tão inevitável quanto o da área construída e a quantidade de aparelhos continuará a ocupar o lugar da melhoria na eficiência. Essa eficiência não diz respeito apenas a aquisição de equipamentos cada vez mais sofisticados. Árvores que dão sombra, pisos e telhados claros ajudam a refletir o calor do sol, a refrescar a cidade e diminuir a carga de ar condicionado.

Para não mencionar a co e a tri-geração, uma das melhores relações custo-benefício vem do uso de janelas termo crômicas, de condicionadores com fluxo variável de refrigerante (VRF), de iluminação por LED e até eliminando o efeito da inércia térmica, ventilando os grandes edifícios a noite, exatamente quando o custo da energia é menor.

Além do pagamento de incentivos e da concessão de benefícios adicionais, há outras maneiras de aumentar a produtividade dos colaboradores em edifícios comerciais e escritórios. Vários estudos comprovam que melhorar o controle de temperatura, umidade, distribuição de ar e iluminação, estão associados a um aumento considerável da produtividade no trabalho, além de impedir a recirculação de germes e reduzir doenças e o absenteísmo.

O autor, Paulo Cesar Razuk, é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp - câmpus de Bauru

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