Cultura

Um ?caipira? entre os grandes

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 2 min

“...Com o foucinho ao rés do chão e mui contente/Serve-se o tamanduá de lauto almoço/Depois caminha em campo aberto lentamente/Com seu filhote atarracado sobre o dorso”.

O trecho acima é um recorte do “Soneto ao Tamanduá”, que descreve com simplicidade, e cheio de riqueza, cena típica do Cerrado do ponto de vista de quem viveu por anos na zona rural. O escritor Lázaro Carneiro, 64 anos, se considera um “caipira, porém crítico e moderno” e aproveita toda sua sensibilidade, sabedoria e experiências vivenciadas e acumuladas na época em que morou na área rural para transformar em literatura.

Recentemente, ele teve um de seus textos, “Soneto ao Tamanduá”, publicado no Bestiário da Poesia Brasileira, editado pela Confraria dos Bibliófilos do Brasil, lançado em Brasília (DF). A obra reúne vários poetas importantes da literatura brasileira, como Augusto dos Anjos, Jorge Falleiros, Humberto de Campos, Cassiano Ricardo, Olavo Bilac, Tasso da Silveira, entre outros. Todos os textos versam sobre a fauna brasileira e são ilustrados com xilogravuras de Leonardo Alencar.

“A Confraria seleciona, a cada dois ou três anos, um tema para editar um livro, com exemplares limitados. E o José Salles Neto, um dos organizadores, me convidou para publicar um de meus textos. E o livro, em meio a tanta gente famosa, traz um texto meu”, salienta Lázaro.


Ele leu Nietzsche

Nascido em 1950, no distrito de Guaianás, em Pederneiras, Lázaro – que se considera bauruense – conta que viveu e trabalhou na roça durante toda sua adolescência. Por volta dos 17 anos, mudou-se para Bauru e foi trabalhar na CPFL. E ganhou consciência crítica e política. “Eu me desenvolvi”, conta.

Sempre com chapéu na cabeça e sem perder as raízes caipiras, Lázaro diz que é um “caipira que leu Nietzsche”. “Conservei essa cultura caipira, mesmo vindo pra cidade. Mas comecei a ter visão crítica das coisas e minhas poesias falam muito disso.”

A expressão é também nome de um de seus livros, lançado em 2003. E está a caminho também outra obra de sua autoria, “Um eito do Cerrado”, que tem apoio da Secretaria Municipal da Cultura. “Escrevo desde jovem. Mas comecei a organizar mesmo o que havia escrito depois de aposentado. Foi aí que comecei a matar o tempo com literatura”, conta.  Já na cidade, o escritor conheceu o computador, que o incentivou ainda mais a organizar seus textos para posterior publicação. “Com a ajuda do meu filho, organizei minhas poesias para publicação”. Lázaro também foi apresentador por seis meses, em 2011, no programa televisivo da TV Preve “Rancho Cultural”, que tinha como objetivo difundir a cultura caipira e regional.

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