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Após saída de coordenadora, índios desocupam secretaria em Boa Vista

Folhapress
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Índios da etnia ianomâmi desocuparam neste sábado (4) o prédio da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), em Boa Vista (RR), que havia sido invadido nesta semana.

Cerca de 60 indígenas ocupavam a sede do órgão, ligado ao Ministério da Saúde, desde o dia 30. A ação ocorreu para exigir a saída da coordenadora do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) Yanonami, Joana Claudete Schuertz.

Os manifestantes criticam a falta de medicamentos e materiais básicos no distrito, que é responsável por atender o grupo indígena.

O Ministério da Saúde se comprometeu em exonerar a funcionária, o que só será oficializado na segunda-feira, com a publicação no Diário Oficial da União.

Até lá, os índios estão alojados na casa de apoio ianomâmi, cerca de 200 metros da sede da Sesai.

"Aceitamos sair da Sesai, mas vamos continuar em Boa Vista até que o documento seja publicado no Diário Oficial. É uma forma de ver nosso direito garantido", disse Junior Yanomami, um dos líderes do grupo.

Fim do protesto

O fim do protesto foi acertado após reunião nesta sexta-feira entre os índios e representante do ministério, que definiu a exoneração da coordenadora. Uma funcionária assumirá o cargo até a nomeação do novo responsável.

Os índios indicaram João Catalano, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami Ye'kuana, ligada à Funai (Fundação Nacional do Índio), para assumir o posto.

Durante a invasão, no início da semana, os ianomâmis obrigaram Schuertz a assinar uma carta manifestando a intenção de deixar o cargo. A funcionária também teve o rosto pintado, de modo a caracterizá-la como pessoa rejeitada pela etnia. Os próprios índios registraram a invasão em vídeo.

Schuertz, por meio do marido, disse ontem que está deprimida em razão do episódio e que, por isso, não comentaria o assunto.

O Dsei Yanomami fica entre Roraima e o Amazonas e atende a cerca de 20 mil índios, a maioria ianomâmi. São, ao todo, 275 aldeias de cinco etnias diferentes, concentrando mais de 4.000 famílias indígenas.

Recentemente, o distrito recebeu dois profissionais enviados pelo programa Mais Médicos.

    


 

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