Douglas Reis |
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Coordenadora Magali Caldana e Maria Aparecida Machado |
Um grupo de 40 pessoas, entre funcionários, docentes e alunos das faculdades de Odontologia e Fonoaudiologia da Universidade de São Paulo (FOB-USP) decolou hoje do Aeroporto Bauru-Arealva em um avião da Força Aérea Brasileira rumo a Rondônia para a décima segunda expedição para atendimento nessas áreas a ribeirinhos da região de Monte Negro, a 243 km da capital rondoniense, Porto Velho.
Além da bagagem de 4.200 quilos, os profissionais que atuam em Bauru vão experimentar mais uma etapa da gigantesca catarse emocional presente nesse tipo de ação. A convivência com o lugar ermo, onde rios são estradas, o horizonte avista milhões de árvores, voadeiras percorrem horas o rio para chegar aos ribeirinhos e há carência de tudo, inclusive de gente, o espírito solidário aflora com uma boa dose de emoção o tempo todo no calor da floresta úmida e tropical amazônica.
A coordenadora do projeto, Magali Caldana, contou, ao se despedir do grupo no aeroporto local, que a chegada a Calama (RO) seria no início deste domingo, praticamente na entrada da última madrugada. “De ônibus essa mesma viagem leva 46 horas. Eles fazem parada para reabastecimento em Cuiabá e de lá vão para Porto Velho, sendo outras quatro horas até Monte Negro. A parte final do percurso é feita de barco. Dos 15 dias de expedição, um é para a ida e outro para a volta”, conta.
O cenário é de completo isolamento diante da gigante floresta. “Os verdadeiros desassistidos desse País continental estão lá, no meio da floresta. Tem lugares em que é preciso andar 24 horas de barco para alcançar a população ribeirinha, vilarejos de pescadores que nunca tinham conhecido um dentista antes. Agora é que chegou uma médica cubana por lá, do Programa Mais Médicos. Nosso projeto faz esse trabalho desde 2002 e, como a carência é enorme, inclui orientação, palestras sobre saúde, higiene”, cita Caldana.
A referência do grupo para a execução do trabalho é Monte Negro porque lá há uma sede do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da universidade paulista. “O médico sanitarista Luiz Marcelo Aranha Camargo foi pra lá para desenvolver seu trabalho e pesquisa em malária e por lá ficou. Depois a FOB foi convidada para o apoio nessas atividades, através do Luiz Marcelo, e estamos com o projeto FOB USP em Rondônia organizado, consolidado por lá”, acrescenta.
