Malavolta Jr. |
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Costureira de Bauru ficou famosa por produzir mais de 1.000 vestidos, que foram usados até pela Xuxa
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Morreu por volta das 4h da madrugada de ontem, aos 83 anos, Guiomar Chinelatto vítima de uma falência múltipla de órgãos. Ela foi sepultada ontem às 16h30 no Cemitério Municipal da Saudade.
Vinda de Catanduva, filha de pai ferroviário e de mãe dona de casa, Guiomar chegou a Bauru, montou um ateliê de costura e se tornou uma renomada estilista nas décadas de 1960 e 1970, confeccionando mais de 1.000 vestidos bordados à mão para noivas, madrinhas e debutantes da alta sociedade de Bauru e região.
Nos tempos áureos, chegou até a vestir a então modelo Xuxa Meneghel, em um dos incontáveis desfiles de que participou.
Em entrevista para o Jornal da Cidade no dia 28 de junho de 2009, Guiomar mostrou ser uma mulher independente, à frente de sua época, inventiva e bem sucedida. Ela cuidou de si mesma sem precisar estar à sombra - ou mesmo do lado - de homem algum.
Ela descobriu o dom pela costura ainda criança, quando fazia roupas para suas bonecas. Aos 15 anos, confeccionava os próprios vestidos e só participou de cursos depois que já estava com a profissão consolidada.
Guiomar passou a adquirir uma clientela grande e a ganhar notoriedade na alta sociedade após uma parceria com o Capristor. Dez anos depois, já estava com um ateliê próprio, na quadra 5 da rua Primeiro de Agosto, onde trabalhou e viveu até o fim dos seus dias.
Em 2001, acometida por um câncer, teve de se afastar do que tanto gostava de fazer. Recuperada, Guiomar passou a costurar apenas para a família e para os amigos mais próximos.
Embora tenha ajudado a realizar o sonho de muitas noivas, ela optou por não se casar nem ter filhos. Em entrevista ao Jornal da Cidade, Guiomar disse que a costura ocupou todo o tempo que tinha, mas confessou que um companheiro fazia muita falta na vida dela.
Por outro lado, disse que as duas sobrinhas cuidavam dela como se fossem filhas. “Com elas, divido a minha vida”, reforça. Paula Quinelato Mendonça, sobrinha de Guiomar, conta que a família era pequena, mas bastante unida. Ela acrescenta que a costureira deixou um exemplo aos mais próximos, porque tinha muita força de vontade quando o assunto era a própria profissão.
“Éramos eu, minha mãe, minha prima e minha tia. Ela vai fazer muita falta. Por outro lado, deixou um exemplo para todos nós, porque ela tinha muita garra para trabalhar e conseguiu resistir a várias doenças no decorrer da vida”, desabafa.