Malavolta Jr. |
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Daniel Tarcinalli diz que 100 agentes têm visitado diariamente imóveis em toda a cidade |
Com o objetivo de evitar a repetição do número recorde de casos de dengue registrado no ano passado, a Secretaria Municipal de Saúde desencadeou diversas frentes de trabalho para prevenção e combate à doença. A estratégia, pelo menos até o momento, parece estar funcionando, já que nenhum caso de dengue foi notificado pelo município em 2014.
Mas alguns aspectos ainda geram preocupação, como a possível entrada em circulação do sorotipo 4 da doença, ainda não registrado em Bauru, mas já detectado no ano passado em municípios próximos, como Macatuba e Lençóis Paulista. Exatamente por ser um tipo novo, toda a população fica vulnerável à contaminação, já que o indivíduo só fica imune aos tipos de dengue que já o deixaram doente.
Outro motivo de apreensão é que, embora a situação ainda seja tranquila na cidade, municípios vizinhos, como Jaú, já contabilizam número elevado de casos da doença.
“Muitos moradores de Jaú vêm todos os dias para trabalhar em Bauru e vice-versa. Esse trânsito aumenta as chances de trazermos a dengue para cá”, alerta Daniel Godoy Tarcinalli, chefe da seção de ações de meio ambiente da Secretaria Municipal de Saúde.
Em razão disso, ele destaca que uma equipe de cerca de 100 agentes de endemias tem visitado, diariamente, imóveis em toda a cidade para eliminar criadouros e orientar os moradores sobre os métodos corretos para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Para este trabalho, as regiões consideradas prioritárias são as que registraram maior concentração de criadouros em levantamento realizado no ano passado: Vila Falcão, Jardim Bela Vista, Pousada da Esperança 1 e 2, Vila São Paulo, Jardim Redentor, Núcleo Geisel, Vila Industrial, Jardim Ouro Verde e Vila Ipiranga, entre outros.
Também recebem atenção especial as unidades básicas de saúde, hospitais, escolas municipais, estaduais e particulares, com o mesmo objetivo de orientação e extinção de criadouros. Na semana passada, a secretaria já havia alertado os profissionais da rede municipal de saúde para estarem atentos ao diagnóstico preciso da doença, incluindo a solicitação de exame quando a sintomatologia for suspeita.
Ação intensa
Numa ação mais intensa, os agentes de endemias passaram a visitar, a cada 15 dias, ferros-velhos e pontos de depósito e comércio de materiais recicláveis, onde o acúmulo de criadouros tende a ser maior. Para tanto, neste ano, a Divisão de Vigilância Ambiental atualizou seu cadastro, ampliando de 85 para 210 os imóveis que se enquadram nesta categoria.
“Num primeiro momento, a gente dá a orientação. Mas, nos locais em que o proprietário já recebeu advertência e não corrigiu os problemas, começamos a aplicar autuações com multa, que variam de R$ 300,00 a R$ 3 mil, em caso de reincidência”, observa Tarcinalli.
Ainda dentro da força-tarefa iniciada pela secretaria, as grandes redes supermercadistas da cidade foram contatadas e aceitaram desencadear, por meios próprios, campanhas de prevenção e combate à dengue, com a distribuição de panfletos e afixação de cartazes nos estabelecimentos.
“A questão é que uma pessoa com dengue fica sem trabalhar por uma semana e esse afastamento representa, inclusive, prejuízo para a economia. Então todos os setores devem se motivar a fazer suas campanhas internas”, analisa Tarcinalli.
Infestação
Realizado em outubro do ano passado, o Levantamento Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (Liraa) apontou que o nível de infestação do Aedes aegypti em Bauru está acima do ideal: 2,1. Isso significa que foram encontradas larvas do mosquito em 2,1 imóveis em cada 100 pesquisados. O índice é considerado de alerta. O preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é menor que 1.
Caçambas e passeatas
Iniciada no ano passado, a campanha de combate à dengue da Unimed em parceria com a prefeitura terá sequência neste ano. Agora, a ideia é distribuir caçambas em vários bairros da cidade, para que a população possa descartar materiais que possam servir de criadouro para o mosquito Aedes aegypti.
“A expectativa é de que, até o final de janeiro, este projeto já possa ser retomado”, pontua Daniel Godoy Tarcinalli, chefe da seção de ações de meio ambiente da Secretaria Municipal de Saúde. Da mesma forma, a prefeitura pretende repetir em 2014 as passeatas realizadas por alunos de escolas municipais no ano passado.
“A intenção é lembrar que a dengue permanece uma ameaça e conscientizar as pessoas, nos bairros, sobre os sintomas da doença e as medidas de prevenção a serem adotadas”, detalha.
Chuva escassa ajuda
A pouca quantidade de chuva registrada em dezembro do ano passado em Bauru também foi uma boa aliada para o controle da infestação da dengue no início de 2014. Isso porque o calor e o acúmulo de água contribuem para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, aumentando, consequentemente, o número de casos da doença.
O índice de chuva acumulado em dezembro foi o mais baixo dos últimos 12 anos: 54,6 milímetros. O número é menos da metade do registrado no mesmo mês de 2012 (121,9 milímetros) e seis vezes menor do que o contabilizado em dezembro de 2009 (319,5 milímetros).
Da mesma forma, janeiro, que costuma ser um mês tão chuvoso quanto, acumula, até o momento, apenas 37,9 milímetros de chuva nos 13 primeiros dias de 2014.
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