Sobre túmulos onde se depunha saudade
uma estátua sacrossanta ainda brilhava
inerte feita em bronze, mas com vaidade
frente a frente o sol poente então fitava
Um véu de luto que desce flanando ao vento
O ar soturno esconde mansamente o cemitério
Brilha a estátua sacrossanta ao relento
pois é a noite que revela seu mistério
Do cruzeiro sobre a torre da capela
onde a coruja que dormia se desperta
sai voando entre choros flores e velas
Nesse voo agourento sobre jazigos
busca um lugar para aliviar-se na hora certa. Tens na cabeça da estátua seu abrigo.
Lázaro Carneiro