Douglas Reis |
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Céu de Bauru pouco nublado na manhã de ontem; dias quentes continuam |
Poucos pingos, muito sol: a realidade de dezembro e janeiro em Bauru é de chuva rápida e calor insistente. O fenômeno, que já vinha numa crescente, atinge patamares históricos e intriga.
Janeiro nem acabou e já serve de exemplo: até ontem à tarde choveu 55 milímetros. Com os 23 desta quinta, chega a 78. Pouco para 22 dias já completos. “O total esperado em janeiro, na média climatológica, seria de 290 mm”, compara o meteorologista José Carlos Figueiredo, 60 anos – 32 dos quais dedicados ao estudo da atmosfera e seus fenômenos.
Para se ter uma ideia da discrepância, em janeiro de 2013 foram registrados 284 milímetros de chuva. Janeiro de 2014, portanto, passa longe. Mas, por quê?
A explicação exata necessita de pesquisa maior, mas é certo que um bloqueio atmosférico está em ação. “O normal seria chuva mais constante entre dezembro e março”.
Há, portanto, uma anormalidade no ar? Sim. Curiosamente, ontem Bauru teve um “refresco” no calorão durante parte do dia. Isso pode ocorrer de vez em quando. “Mas, quando a chuva vem, costuma mesmo ser de curta duração”, comenta Figueiredo.
Inundações?
Convém reiterar que pouca incidência de chuva não significa chuva nenhuma. E muito menos que a cidade está livre de tempestades e de enchentes até março.
O alerta é mantido, inclusive junto à Defesa Civil, porque, mesmo num mês de pouca água, uma pancada de quarenta minutos pode bastar para causar estragos consideráveis e levar perigo real à população – notadamente nos conhecidos trechos críticos.
A maior temperatura de ontem foi às 14h50, com 31 graus. A umidade relativa do ar, boa, variou entre 51% e 63%.
Na previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) para hoje, tempo parcialmente nublado com chance de chuva isolada na tarde/noite. Temperatura, como sempre, em elevação (pode chegar perto dos 32 graus). Para amanhã, dia muito quente é previsto com céu parcialmente nublado, mas sem alívios significativos: 32 graus são esperados.
Malavolta Jr. |
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O meteorologista José Carlos Figueiredo: análise dos fenômenos |
Na medida
Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia e ex-delegado da delegação brasileira na Rio + 20, José Carlos Figueiredo explica: “Um milímetro de chuva corresponde a um litro de água por metro quadrado. Dois milímetros de chuva seriam a garrafa pet de dois litros cheia de água despejada em um metro quadrado”.
Muito abaixo
De acordo com o IPMet, em 32 anos, nunca choveu tão pouco para o último mês do ano. Foram 55 milímetros contra uma expectativa de 220, levando-se em conta médias históricas. Em dezembro de 2012 foram 122 milímetros – mais que o dobro do ano passado, mas também abaixo do que seria ideal.
Consequências
Em 2011, matéria da repórter Tisa Moraes já mostrava que, de acordo com o IPMet, desde 1999 o acumulado anual de chuva tem ficado abaixo da média histórica registrada pelo órgão.
A matéria também alertava que a redução do volume de chuvas poderá provocar aumento na incidência de doenças respiratórias, principalmente entre crianças e idosos.
Nesse sentido, há desidratação das mucosas (narinas, garganta), que ficam mais predispostas a infecções virais, como a gripe. A poeira doméstica contaminada por ácaros também é propícia para provocar alergias.

