Internacional

Negociações de paz Síria não avançam

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

As negociações humanitárias entre o governo sírio e a oposição para libertar civis presos na cidade de Homs não deram resultado até agora, disse ontem o mediador no processo de paz, Lakhdar Brahimi.

“A delegação governamental me disse anteontem que havia um acordo para a saída de crianças e mulheres, mas continua discutindo como se deve fazer. Acho que o governo quer fazer isso, mas não é fácil.”

Ele reconheceu que a saída de civis de Homs, assim como a tentativa de permitir a libertação de prisioneiros e pessoas sequestradas, ainda não foram concretizadas.

O comboio da ONU com ajuda humanitária (alimentos, remédios e outros artigos de primeira necessidade) ainda não entrou em Homs porque localmente não foi tomada uma decisão a respeito, explicou.

As autoridades sírias afirmaram, ontem, que esperam que organizações internacionais lhes digam quantas pessoas pretendem deixar a cidade de Homs para iniciar a retirada de mulheres, crianças e idosos da cidade.

Segundo a agência oficial síria Sana, o governador de Homs, Talal al Brazi, disse durante reunião com representantes da ONU em Damasco que o único impedimento à chegada de ajuda humanitária no local é a atuação de grupos terroristas denominação utilizada pelo governo para se referir aos opositores.


“Pedi que considerem fazer algo sobre essas áreas assediadas, seja pelo governo ou por grupos armados. As pessoas realmente estão sofrendo ali”, afirmou Brahimi ao fim do quarto dia de negociações.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, cerca de 3.000 pessoas estão cercadas nas zonas rebeldes de Homs.

O alívio da situação dos civis em zonas sob conflito armado, assim como a situação dos detidos, são duas questões que podiam mostrar a boa vontade das partes neste processo de paz.

Hoje o foco do debate será um documento de princípios gerais apresentado ontem pelo atual regime. Brahimi considerou que vários dos princípios evocados pelo documento são parte do Comunicado de Genebra, que desde junho de 2012 estabelece a criação de um governo de transição no país.

Já a oposição criticou o texto por evitar qualquer alusão a uma transição democrática.

“As discussões não foram construtivas, ontem, por causa da atitude do regime de querer desviar as negociações que deveriam ter como foco a aplicação de Genebra 1”, afirmou Rima Fleyhan, membro da delegação da oposição. “A delegação do regime quis mudar de assunto falando de terrorismo.”

O plano de ação apresentado pelo regime sírio fala sobre “soberania e independência da Síria”, “rejeição a qualquer ingerência externa” e “preservação de todas as instituições do Estado”.

 

Comentários

Comentários